segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

FRANCA DOS NATAIS BRILHANTES

Tudo iluminado, lojas abertas e cheias. O período do Natal é realmente um momento para reflexões, onde a sensibilidade fica mais a mostra.
Neste tempo, ouve-se falar de muitas alegrias e confraternizações. Há até quem fique mais generoso. Neste tempo não há espaço para crises, quiçá brigas e desentendimentos. O espectro natalino realmente meche com a alma do povo não só aqui em Franca, mas em qualquer lugar do mundo cristão.
As ruas são então decoradas com lindas luzes e ornamentos natalinos. A cidade precisa estar linda para receber o Menino Jesus que está prestes a nascer. E o povo adora, todos passeiam pelas ruas gastando seus décimos terceiros salários. Curioso como o encantamento e a sedução pelas compras transfigura o espírito. Talvez seja a alegria do consumo, talvez apenas a necessidade social de se ver incluído na moda vigente.
Mas, curiosamente, quando o dia vinte e cinco passar e com ele ceder o frisson das compras, ninguém restará que tenha se lembrado do Menino Jesus que, em um dia apenas, já terá crescido e perderá a graça dos bebês, deixará a manjedoura e partirá para o calvário num caminho que ninguém gostaria de acompanhá-lo.
Em um dia apenas os brinquedos e eletrodomésticos com os quais sonhamos o ano inteiro restarão já velhos e novos sonhos de consumo se avizinham. Enquanto isso, pelo caminho do calvário, Jesus, agora homem, ergue solitário sua cruz. Enquanto durar o caminho, desmancharemos os enfeites e apagaremos as luzes que enfeitaram nosso mundo imaginário, onde não há espaço para os horrores com os quais lidamos e de que tanto fugimos.
Olhem todos porque já no dia vinte e seis Jesus parte para o calvário. Curioso como até mesmo Ele deve se apressar, porque logo chega a Páscoa, linda e adocicada com seus chocolates e coelhinhos imaginários, que tanto servem para fazer-nos esquecer o sangue alheio.


Rafael Guerreiro

2 comentários:

Anônimo disse...

olá, Rafa!
Quando terminei de ler, a mensagem que ficou em mim foi exatamente:"Somos plenamente responsáveis por aquilo que cativamos".
cativar sentimentos bons em época como o Natal, supera os instintos humanos, entre eles o consumo!ou deveria superar...!
Parabéns!
beijos e mais beijos!rs.
Paulinha.

Teresa Cristina disse...

Rafa, eu e o Bosco gostamos muito do seu texto. Nunca parei para refletir sobre a questão..."deixará a manjedoura e partirá para o calvário...". Achei magnífico,viu?