sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

AS TORRES DA CAPELA

Eis que naquela noite o vento soprou forte. O movimento do vento refletia a ansiedade do primeiro beijo. Do lado de dentro, mãos entrelaçadas e abraços carinhosos. Beijos púrpuros de plenitude. Espíritos embalados pela dança do incenso. Toques sutis de aconchego e paz.
De longe, era possível ver as torres da capela. Traziam consigo uma igualdade ímpar. Eram duas, mas tinham um só ponto em comum, um único céu. Por dentro, duas torres, mas um só encontro.
Incenso, desfecho, destinos...O invisível dançava aos olhos delas como que profetizando suas vidas.
O incenso ardia na noite, propagava odores de alfazema e alecrim. Deixava virgem um rastro de amor.
Eros ou Lilith?

Rafael Guerreiro