terça-feira, 2 de setembro de 2008

NOVAS VIAGENS

Eis que começou assim de repente e acabou num susto seco. Foi de supetão e não teve mais jeito. De súbito, os cinco anos que lhe foram contados antes de lhe serem entregues haviam se esvaído sem qualquer pudor.
Ao longo dos anos, ele perambulava pelas ruas e pela praça com as mãos nos bolsos da calça jeans sem qualquer pretexto.
Fumou, bebeu, deu risadas, escreveu, riscou, amou e chorou. Quando se deu conta, seus olhos ganharam uma quebra de página, um pasmem sem qualquer grito.
Na face, um sulco de vida entortava a pele ainda rija. Eram as conseqüências da noite que tanto amava.
E agora, não desejava o final, pedia uma sobrevida egoísta na demonstração mais humilde de que ainda queria um pouco mais, só um pouco mais...Talvez sejam as pessoas daquele lugar, ou ainda daqueles cinco anos de noites, letras e sonhos.
Mas ele sabe que seu pedido traduz-se numa bagatela. Logo sacode a cabeça e lancina o olhar. Eis o caminho a tua frente.
Ele olha para o lado e, feliz, sabe que viveu. Sabe que agora as viagens serão mais altas. Lembra-se então dos que caminharam com ele e que agora preparam-se para viajar.
Deixa de graça um sorriso maroto e, numa prece quieta, evoca sua sinceridade para desejar baixinho que um dia todos viajassem juntos...




Rafael Guerreiro

Um comentário:

Anônimo disse...

...de mãos dadas; em trem ligeiro... Era o suor do despertar que me percorria as têmporas. "O tempo não oscila!" - dissera-me uma vez algum conhecido conhecedor dessas viagem. Queria ainda mais um pouco! Queria abrir uma mala e meter-lhe os copos, as pontas de lápis, as febres, molezas por calor... mas nem sabia dar à mala seu destino merecido! Impressionava-me como muitos pareciam ter compreendido a viagem logo no parto... e eu não! Entendia-na apenas agora velha... enquanto que no leito, cá, estirada... em morte branda, certeira...
A viagem, por já, era arrumada em seu caixão. Os viajantes a carregavam, e eu não pude... só sabia chorar verdades em meio a tampa encerrando.