sexta-feira, 14 de setembro de 2007

OS NÔMADES DE MINHA CASA

Por estes dias o vento está forte. Parece que algo está agitado, quem sabe seja o espírito, quem sabe o corpo. Não há meios de se saber isso, apenas sei que minha memória também se agita. Trago à tona lembranças muito especiais, que necessitam serem vasculhadas. Quanto mais se aprofunda, minha memória se agita em infinitos turbilhões de sensações e sentimentos escondidos.
Pela janela do quarto observo as árvores e por elas enxergo o movimento do vento. Venta forte, parece que algo quer se comunicar, ser solidário. O vento é forte e sem norte. Deixo muitas lembranças à deriva, remexidas a esmo por mim. Lembro-me, então, do primeiro encontro. Lembras também? Lembro-me das sensações e da expectativa. Lembro-me de como fora belo o primeiro beijo e os outros que até hoje vêm.
São lembranças ciganas, trazidas de tempos em tempos pelos ventos memoriais. Às vezes param e estabelecem morada, às vezes querem trocar presentes e depois apenas seguir viagem. Não têm rumo, apenas existem e buscam um lar, umas mais próximas, outras mais distantes, mas todas aparecem de tempos em tempos.
Venta forte em meu espírito. A sensação é de vida e movimento, mas as lembranças apresentam-se como brisas suaves da praia de Itapuã. Quando retornam de suas viagens quero conhecê-las de novo, mais aprofundadamente, por outros ângulos. Troco presentes e experiências, aprendo seu idioma estrangeiro e a cultura que trazem consigo.
Quando do encontro delas comigo, trago sempre muitos interesses e não me abstenho de um bom café cigano. São por demais desconfiadas, se não tratá-las com o devido respeito passam despercebidas e o mundo torna-se cinza.
Às vezes, quando me sinto sozinho, tenho a sensação de que alguém está a espreita e que me observa com olhos de quem me conhece. São os ciganos de minha memória e querem me visitar. Quando estão por perto o vento se agita e sei que algo virá à tona.

Rafael Guerreiro

Um comentário:

Pati disse...

Só pra constar que acho que esse é meu preferido... embora seja dificil escolher!

E seu nome era apenas um detalhe para o qual eu realmente nao tinha atentado (rs!) Prefiro continuar pensando como o blog do rapaz que também sente um 'vento forte em seu espírito'...
Por sinal, depois dá uma olhada de novo lá no golpes.. vou postar outro texto que talvez comprove a idéia de estarmos no mesmo quadrante... =)

Parabéns! De verdade e de novo!