terça-feira, 5 de abril de 2011

Minhas Filhas


Já não sei mais o que escrevo. Já não sei mais se é crônica, conto ou poema.
Tudo o que sei é que o mundo todo quer seu espaço no branco do papel.
E depois de tanto tempo sem escrever, percebo hoje como está difícil deixar que as ideias sejam livres.
Sim, depois de tanto tempo. Tanta coisa passou, quantas pessoas passaram, quanto sentimento foi e voltou. Sorrisos, choro, angústia, raiva, alegria, felicidade e tristeza, amor e ódio, antagonias do Alentejo.
Ah! Meu Deus, quantas ideias se perderam para sempre, quantos abortos sem nenhuma chance.
Queria eu podê-las reunir em uma mesa com a família e passar um momento calado enquanto todos riem a vida sem qualquer maldade.
E calado eu as deixaria ao sabor do vento dançando para mim. Elas seriam eu, um eu mais eu que eu mesmo, no silêncio do que se passa dentro dos olhares.
Eu, somente eu, sem vaidades nem trajes.

 
Rafael Guerreiro

3 comentários:

CANTINHO DO XADREZ...e outras futilidades disse...

Bellus! Uma reflexão profunda, densa e minuciosa sobre algo tão etéreo. Escreves bem, muito bem!

CANTINHO DO XADREZ...e outras futilidades disse...

Bellus! Reflexões que variam do denso, profundo e substancial; ao etéreo, ao celestial e ao abstrato que somente tú concebes. Escreves bem! Congratulações.

Lívia Inácio disse...

vc consegue dar peso ao seu texto com metáforas lindas e ainda assim deixá-lo leve ao ponto de nos aliviar a alma.