<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311</id><updated>2012-01-17T23:57:32.356-02:00</updated><category term='Alquimia dos sentimentos'/><category term='Silêncio'/><category term='Alteridade'/><title type='text'>FICÇÕES DO ESPÍRITO</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>47</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-3258497916545835445</id><published>2011-10-03T01:42:00.003-03:00</published><updated>2011-10-03T02:18:16.676-03:00</updated><title type='text'>A PORTA FECHADA</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/--WakgM7LiBA/Tok9EK420FI/AAAAAAAAANY/ZwJdLdi0oIs/s1600/porta+fechada.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="239" src="http://1.bp.blogspot.com/--WakgM7LiBA/Tok9EK420FI/AAAAAAAAANY/ZwJdLdi0oIs/s320/porta+fechada.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;O velho novo de novo. Por uma vez mais o dia nasceu brilhante após o ocaso trivial dos desafortunados. Por uma vez mais os pensamentos parecem viciados, focados nessa esperança perplexa de algum amor casuístico. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mais uma vez, o acaso me trouxe uma nova complicação. Tudo estava quieto, estático. Os dias eram até então serenos dentro das suas próprias limitações mesquinhas. Mas agora tudo me parece o imperativo do verbo sofrer transmutado numa ansiedade obesa. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Queria eu controlar o acaso, esse mistério de voz alta e roca, esse penetra estúpido de língua estrangeira. Mas já que não o controlo, queria eu então prever o futuro para que a luta fosse justa. Pudesse eu prever o futuro e todas as peripécias do acaso poderiam ser curadas se eu já soubesse as manchetes do jornal de amanhã. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Seria justo, e melhor, não seria tão sarcástico esse gosto diabólico do acaso por aguçar as nossas paixões. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas por outro lado, o acaso poderia ser justo, mesmo sem previsões, se ambos os lados de um mesmo amor entendessem que um encontro casual seria o menos casual em suas vidas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Por de trás de todo esse mistério sem previsões, tudo o que sei é que não é possível saber nada do que está de fora da porta do quarto ainda fechada numa manhã comum.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu acordo nessa manhã ensolarada e comum. E diante de mim há a porta do quarto ainda fechada, esperando para ser aberta, esperando que eu a abra e assim possam começar todos os desejos do dia. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A porta espera pacientemente. Ela não me diz nada e nem poderia. Ela não me convida, não me questiona. Apenas está ali como um ritual de passagem que me levará ao inevitável encontro com o acaso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Seguro a maçaneta e a giro com vontade, como quem gira a sua própria roda cotidiana. Preciso de um novo dia, de um novo sonho. E naquela maçaneta eu deposito todas as paixões que o dia pode conter. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A porta se abre e eu não posso saber o que virá, tudo o que sei é que o velho novo sentimento de sempre me faz caminhar enquanto ainda respiro. Tudo o que sei é que por mais este dia comum algo de novo despertará em mim o desejo por sentir novamente aquela doce expressão de um sentimento nobre.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu a desejo inexoravelmente, e ao girar aquela maçaneta diária faço a escolha por desejá-la, mesmo sabendo que o mesmo acaso que me levou a estar tão próximo daquele velho novo amor, pode não ser tão forte quanto a certeza que me fará tão próximo daquele velho novo verbo sofrer. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-3258497916545835445?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/3258497916545835445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=3258497916545835445' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/3258497916545835445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/3258497916545835445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2011/10/porta-fechada.html' title='A PORTA FECHADA'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/--WakgM7LiBA/Tok9EK420FI/AAAAAAAAANY/ZwJdLdi0oIs/s72-c/porta+fechada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-312924021417031312</id><published>2011-07-26T00:36:00.003-03:00</published><updated>2011-07-27T06:44:35.010-03:00</updated><title type='text'>RETALHOS DO ACASO</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;  &lt;/span&gt;Quais segredos guarda uma paixão de três dias? Talvez nenhum, mas talvez exista nesta singularidade volátil a possibilidade de um engano feliz, de um prazer único, sem medições temporais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Quanta filosofia pode ser pensada na fumaça de um cigarro! E no microcosmos moral de cada verdade errante que perambula por este universo indiferente, lanço minha descrença sobre qualquer idealismo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-xT3pKCkBsgE/Ti41MVBkSUI/AAAAAAAAANQ/2woJnYRXQBI/s1600/COLCHA+DE+RETALHOS.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-xT3pKCkBsgE/Ti41MVBkSUI/AAAAAAAAANQ/2woJnYRXQBI/s320/COLCHA+DE+RETALHOS.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;  &lt;/span&gt;Sim, eu que sempre me aturdi por razões soberanas, silhuetas da eternidade e visões metafísicas dos porquês e das tradições, sim, eu deito por terra qualquer sentido, qualquer nobre destino, qualquer ousadia sobre transcrever o indizível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;No aconchego de minhas palavras, percebo que a única resposta ao absurdo de Camus é nossa indescritível e indecifrável capacidade de amar.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Amor. Mas que palavra é essa, meu Deus? O que entende o outro sobre o que amo ou como amo? Não sei, tudo o que sei é que amamos despidos de qualquer ciência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;  &lt;/span&gt;Por isso, aprendo com o acaso. Dou-lhe crédito e fé. E na construção diária do que chamo minha vida, primeiramente devo ao acaso o cimento que assenta cada tijolo dos muros erguidos a cada escolha que faço com meus passos cegos de eternidade. E sigo amando por estes retalhos de mar e por estas ilhas de felicidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Rafael Guerreiro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-312924021417031312?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/312924021417031312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=312924021417031312' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/312924021417031312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/312924021417031312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2011/07/retalhos-do-acaso.html' title='RETALHOS DO ACASO'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-xT3pKCkBsgE/Ti41MVBkSUI/AAAAAAAAANQ/2woJnYRXQBI/s72-c/COLCHA+DE+RETALHOS.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-3871336192970241619</id><published>2011-07-04T01:24:00.001-03:00</published><updated>2011-07-04T01:27:19.166-03:00</updated><title type='text'>Eternal Sunshine of the Spotless Mind</title><content type='html'>Eu já havia assistido ao "Brilho Eterno" há alguns anos atrás. Mas da mesma forma que um bom livro, um bom filme sempre apresenta uma segunda perspectiva quando assistido pela segunda ou terceira vez. E não foi diferente com este filme.A primeira vez que o assisti, o Brilho passou um tanto despercebido. Talvez eu não havia ainda me dado conta de como algumas lembranças se mesclam a nós mesmos e se tornam parte de nossa história, de nosso próprio ser.&lt;br /&gt;"Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" é um filme avassalador e&amp;nbsp;sua genialidade é diluída no cotidiano simples e comum de um casal de namorados&amp;nbsp;&amp;nbsp;apaixonado e&amp;nbsp;que sofre as sutilezas do amor&amp;nbsp;da mesma forma como qualquer um de nós, expectadores. &lt;br /&gt;Mesmo que&amp;nbsp;um relacionamento acabe, restam lembranças tão caras que jamais se perderão. São marcas e estão em nós como tatuagem em nossa pele. &lt;br /&gt;Após assistir ao filme, fiquei o resto do dia pensando sobre as sensações que senti enquanto o personagem de Jim Carrey sofria as angústias de saber que parte de sua história era apagada de sua memória&amp;nbsp;sem que nada pudesse ser feito. &lt;br /&gt;Senti angústia e tristeza. &lt;br /&gt;Fiquei angustiado porque há em mim lembranças tão caras que se fossem apagadas fariam de mim um ser humano menor, menos vivido. E me peguei triste porque se algumas dessas lembranças que guardo de forma tão cuidadosa fossem deletadas de minha história, eu perderia a única forma que tenho de reviver momentos e sensações que jamais se repetirão. É um pedacinho de alguém que ainda resta em mim, mesmo que esta pessoa esteja longe ou apenas trilhando seus caminhos por outros rumos que não os meus.&lt;br /&gt;E quando se trata de amor e carinho, tudo fica ainda mais complexo. Guardar estas lembranças, às vezes tão pequeninas, me ajuda a perceber a singularidade de cada pessoa, com seus sorrisos e lágrimas, seus gestos e seus perfumes muito raros, os quais guardo em frascos pequenos, caros, exóticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-3871336192970241619?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/3871336192970241619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=3871336192970241619' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/3871336192970241619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/3871336192970241619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2011/07/eternal-sunshine-of-spotless-mind.html' title='Eternal Sunshine of the Spotless Mind'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-2690872743725812547</id><published>2011-04-05T17:55:00.001-03:00</published><updated>2011-04-06T11:19:54.138-03:00</updated><title type='text'>Para Ti, garota!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-tky8vnMOGn4/TZuBVm3JIOI/AAAAAAAAAMY/upIN-tmubqo/s1600/Para+ti%252C+garota.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="225" src="http://4.bp.blogspot.com/-tky8vnMOGn4/TZuBVm3JIOI/AAAAAAAAAMY/upIN-tmubqo/s400/Para+ti%252C+garota.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Tu, garota, que estás aí do outro lado, de olhos negros perdidos em mar aberto, contemplativa, esperando por alguém que lhe seduza não só o corpo, mas também os sonhos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Tu, que és livre, solitária, portadora dessa tristeza tão cálida, tão marcantemente tua e que adoravelmente Vinícius cantaria em Itapuã.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Deixo a ti, garota, o que de mais caro possuo. Deixo-te a terceira margem de meus versos. Deixo aos teus sabores toda lógica, todas as interpretações que se podem fazem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;E despido de qualquer axioma, procuro em teus olhos marejados de mar um instante de conforto, qualquer razão que me permita penetrar-lhe o semblante, essa alma que tu tens e que tanto me comove.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Por que olhais o mar dessa forma, garota linda? O que procuras no mar e desprezas tanto assim na terra? Qual é essa força inexorável contida nos teus olhos de sonhos e brilhos e que tanto me força a engastar as palavras?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Veja, garota, veja! Recebe minhas margens e as transponha com teus olhos infinitos. Quebre-as em outras mil paragens, outras tantas formas de amar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Tu que estás aí tão longe e que sente o perfume dourado do sol, recebe este presente, garota, recebe minhas margens, este porto tão singelo, doce alento ao final de teus tormentos tão serenos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 6pt; text-align: justify; text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Rafael Guerreiro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-2690872743725812547?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/2690872743725812547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=2690872743725812547' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/2690872743725812547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/2690872743725812547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2011/04/para-ti-garota.html' title='Para Ti, garota!'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-tky8vnMOGn4/TZuBVm3JIOI/AAAAAAAAAMY/upIN-tmubqo/s72-c/Para+ti%252C+garota.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-7904436922088976392</id><published>2011-04-05T00:01:00.003-03:00</published><updated>2011-04-05T11:22:31.223-03:00</updated><title type='text'>Minhas Filhas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-fzIwzfh3rt4/TZslnUXD5DI/AAAAAAAAAMU/52LJ2QGfFnw/s1600/ideias.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="128" src="http://1.bp.blogspot.com/-fzIwzfh3rt4/TZslnUXD5DI/AAAAAAAAAMU/52LJ2QGfFnw/s320/ideias.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Já não sei mais o que escrevo. Já não sei mais se é crônica, conto ou poema.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo o que sei é que o mundo todo quer seu espaço no branco do papel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E depois de tanto tempo sem escrever, percebo hoje como está difícil deixar que as ideias sejam livres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, depois de tanto tempo. Tanta coisa passou, quantas pessoas passaram, quanto sentimento foi e voltou. Sorrisos, choro, angústia, raiva, alegria, felicidade e tristeza, amor e ódio, antagonias do Alentejo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah! Meu Deus, quantas ideias se perderam para sempre, quantos abortos sem nenhuma chance. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Queria eu podê-las reunir em uma mesa com a família e passar um momento calado enquanto todos riem a vida sem qualquer maldade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E calado eu as deixaria ao sabor do vento dançando para mim. Elas seriam eu, um eu mais eu que eu mesmo, no silêncio do que se passa dentro dos olhares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu, somente eu, sem vaidades nem trajes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Rafael Guerreiro&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-7904436922088976392?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/7904436922088976392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=7904436922088976392' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/7904436922088976392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/7904436922088976392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2011/04/minhas-filhas.html' title='Minhas Filhas'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-fzIwzfh3rt4/TZslnUXD5DI/AAAAAAAAAMU/52LJ2QGfFnw/s72-c/ideias.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-1650928791087950129</id><published>2011-01-16T23:19:00.002-02:00</published><updated>2011-01-16T23:23:55.847-02:00</updated><title type='text'>Apenas para não passar em branco...</title><content type='html'>Ai, ai...Hoje, após a costumeira missa dominical, resolvi passar pelo calçadão quando, de súbito, avistei o Claudeci, minha vítima de hoje. Jogamos e, bem, antes que eu desse o derradeiro mate, o Clau disse q precisava comprar cigarros e saiu sorrateiramente, sem meias palavras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafinha Capa Blanca&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-1650928791087950129?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/1650928791087950129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=1650928791087950129' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/1650928791087950129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/1650928791087950129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2011/01/apenas-para-nao-passar-em-branco.html' title='Apenas para não passar em branco...'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-4587008504909712106</id><published>2009-07-03T14:22:00.019-03:00</published><updated>2009-07-04T19:52:18.518-03:00</updated><title type='text'>OSSOS DO OFÍCIO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/Sk4_vKBVn_I/AAAAAAAAAKk/7bVM94jGZAA/s1600-h/3_g.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354287086366466034" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 284px; CURSOR: hand; HEIGHT: 206px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/Sk4_vKBVn_I/AAAAAAAAAKk/7bVM94jGZAA/s320/3_g.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O cidadão chegou ao bar procurando um remédio. Pediu um "rabo de galo" e o bebeu num gole fundo. Sarou das tragédias.&lt;br /&gt;Pediu também um mastigo de ontem e comeu ensalivando a boca.&lt;br /&gt;O cidadão não se importava com mais nada. Vencido o dia, pôs língua para a vida porque naquela hora, e só naquela, sagrava-se rei de um momento de fartura.&lt;br /&gt;Deixou o pranto das horas para depois e tascou nos lábios um sorriso aberto, palestrando e rindo para todos, mesmo que os outros não rissem tanto.&lt;br /&gt;O cidadão era coveiro e já enterrou mais finados do que podia suportar. Seus clientes são os mais impacientes, não aceitam espera. Se o coveiro não lhes atende rápido, logo se derretem de tanto incômodo, sem cerimônias.&lt;br /&gt;Era essa a sua profissão e segurou a vida no cabo de uma pá de cal sem deixar ninguém esperando. E pelas suas mãos, muitos descansaram em paz na certeza de um túmulo hermético.&lt;br /&gt;O coveiro trabalhou muito, fez muitos enterros. A cal já havia lhe cortado a carne como navalha e o cheiro das carneiras cheias e apodrecidas e das flores fúnebres há muito lhe estragou as narinas.&lt;br /&gt;Suportou ainda as lágrimas de tantos corações partidos e desolados despedindo-se dos seus pela última vez. E viu que, diante da morte, de nada adiantavam os lamentos.&lt;br /&gt;E de brinde, sem esforços, há tempos havia decorado as exéquias.&lt;br /&gt;Assim, depois de tantos enterros, chegou ao bar procurando um remédio. Queria esquecê-los, assim como as choradeiras. Queria, ao menos por um dia, esquecer os semblantes fechados que encontrava pelos dias de profissão.&lt;br /&gt;Ficou de tal forma ensandecido que sua vontade era mais de caçoar dos defuntos, chamar-lhes apresuntados, medir-lhes a febre, pintar-lhes o rosto com caretas ou até mesmo fazer piadas com seus nomes diante de suas famílias; qualquer coisa capaz de quebrar o clima fúnebre dos dias de profissão.&lt;br /&gt;Mas não tem jeito. Dia após dia, impacientes, os defuntos o esperaram, desejando que lhes arrume a cama e bem rápido.&lt;br /&gt;Não adianta o coveiro lhes tratar com ironia. Seus olhos cerrados não enxergam nada, não participam da brincadeira, tampouco possuem senso de humor e o coveiro terminaria por rir sozinho.&lt;br /&gt;E depois de pensar em tudo isso, já risonho de tanto remédio, o coveiro suspirou num desalento incomodado e lançou um pensamento alto, divagando consigo mesmo em tom resignado:&lt;br /&gt;- Ossos do ofício!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-4587008504909712106?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/4587008504909712106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=4587008504909712106' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/4587008504909712106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/4587008504909712106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2009/07/ossos-do-oficio.html' title='OSSOS DO OFÍCIO'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/Sk4_vKBVn_I/AAAAAAAAAKk/7bVM94jGZAA/s72-c/3_g.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-1657975257220002163</id><published>2009-06-22T12:15:00.010-03:00</published><updated>2009-06-25T13:31:57.729-03:00</updated><title type='text'>AMOSTRA GRÁTIS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/Sj-gNOjBBJI/AAAAAAAAAKc/sbR2nCCrchw/s1600-h/Tata_garotinha_ruiva.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350171031443145874" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 214px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/Sj-gNOjBBJI/AAAAAAAAAKc/sbR2nCCrchw/s320/Tata_garotinha_ruiva.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Defronte ao bar onde eu estava há um salão de cabeleireiros com uma enorme janela de vidro para a rua. Uma garotinha contando seus 10 anos veio lá de dentro, parou diante da janela e começou a me olhar.&lt;br /&gt;Apesar de traquinas, já trazia consigo uma das armas femininas: saber lançar olhares como punhais. É bem verdade que os dela ainda não passam de meros canivetes cegos, mas capazes de ferir seus pares!&lt;br /&gt;Olhava-me numa altivez cômica, como se o mundo fosse ela. E quando percebeu minha indiferença, apelou para as caretas! Queria chamar minha atenção.&lt;br /&gt;Brincou, brincou, brincou....Se lambrecou toda com a minha imagem, e quando se satisfez deu de ombros como quem se garante e se virou leve, despedindo-se com um andar solene mal ensaiado, forçando o salto do sapatinho.&lt;br /&gt;Quando sumia, teve tempo ainda de se virar novamente e me espreitar de rabo de olho, numa inocência que qualquer mulher vivida já perdeu.&lt;br /&gt;Eis uma amostra do futuro...&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-1657975257220002163?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/1657975257220002163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=1657975257220002163' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/1657975257220002163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/1657975257220002163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2009/06/amostra-gratis.html' title='AMOSTRA GRÁTIS'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/Sj-gNOjBBJI/AAAAAAAAAKc/sbR2nCCrchw/s72-c/Tata_garotinha_ruiva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-5032820414867632892</id><published>2009-03-23T23:08:00.010-03:00</published><updated>2009-03-24T13:04:55.584-03:00</updated><title type='text'>SOBRE SONHOS E FOICES</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SchB_WIwLBI/AAAAAAAAAKU/mmhdsJp7E6M/s1600-h/SOBRE+SONHOS+E+FOICES.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316571916640726034" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 255px; CURSOR: hand; HEIGHT: 175px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SchB_WIwLBI/AAAAAAAAAKU/mmhdsJp7E6M/s320/SOBRE+SONHOS+E+FOICES.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Zé Francisco cruzou aquelas terras com os olhos nos pés. Queria enricar ligeiro, mas foi esmagado pelas contas do patrão.&lt;br /&gt;Era moço opinioso, de visão rija, embora carecesse de instrumentalidades. Escutou o latifundiário enquanto esperava a própria fala contida em lábios trêmulos. Mas faltava-lhe massa no estômago e, por isso, aceitou calado as migalhas do dono da terra.&lt;br /&gt;Calou-se e esqueceu as palavras do seu ensaio, por onde desejava o justo e que jamais foram ditas e ouvidas.&lt;br /&gt;Zé Francisco arou e lavrou aqueles acres, não era de reclame. Não abriu a boca durante o susto da labuta. Não endireitou a espinha sem antes tê-la sentido arder no ângulo agudo.&lt;br /&gt;Cumprido o suplício ensolarado, largou a foice suja, engoliu água morna e fez caminho até a cidade em busca do primeiro sorriso do dia.&lt;br /&gt;Parou diante da madrugada iluminada e bebeu e fumou extasiado, como quem comemorava um repente único. Mas sua alegria trazida num momento seco consumou-se num relance espraiado de sinestesias voláteis. E de sua felicidade fugaz restaram no balcão apenas copos sujos e a imagem de sua fronte ancorada nos braços.&lt;br /&gt;Zé Francisco até tentou, mas quando o dinheiro acabou ninguém pagou pelos seus sorrisos.&lt;br /&gt;E também ele não carecia de clemência. Era moço opinioso, não tinha precisão de esmolas alheias. Se não trabalhou não podia ter, e se algum dia teve já se foi.&lt;br /&gt;Não pediu piedade, não fez palestra como já fizeram outros. Reverberou-se, bateu no peito e saiu na noite maldizendo Belzebu.&lt;br /&gt;Caminhou titubeante naquele escuro de poemas até sentar-se e curvar-se na sarjeta de um espaço hostil.&lt;br /&gt;Calado e sem nome, chorou um choro rangido de desespero, de solidão. E seu rosto pariu uma imolação sem sangue, uma prece que lhe trouxesse um viático para o futuro.&lt;br /&gt;Lembrou-se então das palavras ensaiadas e do porquê de não dizê-las. Lembrou-se das dores e da humilhação, da água morna ao fim do dia. Foi quando seu olhar resignou-se num colapso de sonho e descrença.&lt;br /&gt;Era moço opinioso, mas que tombou com o roçado seco. Havia esquecido o sonho com a foice.&lt;br /&gt;E na cidade escura, no silêncio dos algozes, Zé Francisco ensaiou palavras novas, mas que dessa vez foram ditas e ouvidas claramente numa rezinha triste de conforto suave, entre pai e filho, entre um sofrer e um sonhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-5032820414867632892?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/5032820414867632892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=5032820414867632892' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/5032820414867632892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/5032820414867632892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2009/03/sobre-sonhos-e-foices.html' title='SOBRE SONHOS E FOICES'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SchB_WIwLBI/AAAAAAAAAKU/mmhdsJp7E6M/s72-c/SOBRE+SONHOS+E+FOICES.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-6573185752641802000</id><published>2009-02-21T16:10:00.005-03:00</published><updated>2009-02-23T11:27:09.461-03:00</updated><title type='text'>O ESTRANGEIRO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SaBSJB0r0BI/AAAAAAAAAJ8/JNa9MWqZ-S8/s1600-h/c%C3%ADrculo+de+fogo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305330676104155154" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 238px; CURSOR: hand; HEIGHT: 216px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SaBSJB0r0BI/AAAAAAAAAJ8/JNa9MWqZ-S8/s320/c%C3%ADrculo+de+fogo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O estrangeiro dormiu uma noite sem instrução. Acordou no crepúsculo de um dia roxo e partiu soletrando passos sem nenhum caminho.&lt;br /&gt;O sol ardia-lhe nos olhos sem qualquer licença e sua obstinação feria-lhe os pés.&lt;br /&gt;Caminhou e saiu da cidade inóspita. Tomou rumo sacro e fez estrada a cada passo. Levou consigo apenas o espírito dos nômades e a paga de um jugo eterno.&lt;br /&gt;No olhar sisudo não se encontravam querências, o ardor sobrepujado que sentia n’alma eram cicatrizes de sentimentos inacabados.&lt;br /&gt;O estrangeiro havia perdido sua pátria, seus antepassados restavam num passado distante e se exilou diante do destino que carregava. Então fez marcha firme e partiu procurando paragens distantes, onde pudesse ser batizado para ser aceito no círculo de fogo de sua tribo.&lt;br /&gt;E no ocaso daquele dia roxo, após longa marcha, quando já lhe faltaram pernas, deitou na relva simples, no aconchego da penumbra, e procurou afastar as aflições de sua alma.&lt;br /&gt;Mas a tribo da qual fazia parte também deitou com ele. Também deitaram seus antepassados, vindos do círculo de fogo.&lt;br /&gt;Deitou, mas não adormeceu. Admirava as constelações numa linguagem muito própria, perdido em devaneios anímicos. Sabia-se pequeno, portador de uma sina lancinante, marcado por um destino não querido, não construído. E desejou um pedido antológico, buscando um batismo de retorno.&lt;br /&gt;Seu rosto sulcado de sol e lágrimas deixou transparecer por instantes um corte de amor, um desvio no olhar, um refugo no peito aberto, um pender de cãs maduras.&lt;br /&gt;Enquanto jazia naquele estado hipnagógico, entre a vigília e o torpor, o vento soprava forte na madrugada nua. E quando seu coração restava nas sombras, ouviram-se passos deitando a relva simples e sussurros de vozes veladas.&lt;br /&gt;As aparições aproximaram-se do estrangeiro, se curvaram até sua nudez e tocaram-lhe a fronte. Variações corriam-lhe a espinha, mas ele se sentiu reconfortado na presença quente daqueles que vinham do círculo de fogo.&lt;br /&gt;Não desejava abrir os olhos, apaixonou-se pelo momento. Voltava naquele instante ao útero perdido e quando se deu conta chorou copiosamente.&lt;br /&gt;Mas naquela relva, durante a roda da madrugada, onde não havia luzes nem civilização, o estrangeiro não foi levado pelos ígneos. Não ainda.&lt;br /&gt;Puseram-lhe no peito uma epifania, uma marca serrada e selaram seu destino com ardores de fogo. Quebraram-lhe a maldição da saudade e da solidão, e libertaram seu coração para a vida.&lt;br /&gt;No batismo de fogo, a plenitude pairou nos olhos do estrangeiro. No batismo de fogo, um conforto súbito ressoou no sangue quente, e uma rara sensação de completude profetizou dias claros de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-6573185752641802000?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/6573185752641802000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=6573185752641802000' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/6573185752641802000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/6573185752641802000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2009/02/o-estrangeiro.html' title='O ESTRANGEIRO'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SaBSJB0r0BI/AAAAAAAAAJ8/JNa9MWqZ-S8/s72-c/c%C3%ADrculo+de+fogo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-3062175656533702078</id><published>2009-02-11T12:14:00.005-02:00</published><updated>2009-02-12T01:10:36.301-02:00</updated><title type='text'>DORES DE UM NOVO MUNDO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SZLjz8dtRII/AAAAAAAAAJ0/KNH445wo-dU/s1600-h/nadar.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301550192912057474" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 267px; CURSOR: hand; HEIGHT: 168px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SZLjz8dtRII/AAAAAAAAAJ0/KNH445wo-dU/s320/nadar.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Não fiz palestra. Deitei ordem triste embaixo de raios de um sol ardido. Segurei o soluço num fluxo inverso e recitei um réquiem.&lt;br /&gt;Mantive rumo certo sem desvio no olhar. Não olhei para trás. Era uma ilha desbravada que se perdia no ocaso.&lt;br /&gt;Entre tremores tramou-se um trilho trépido de olhares marejados. Fiz pressa num caminho de momento, não podia permanecer ali, o tempo urge inóspito. A roda girou mais uma vez e num estalo gerou um passado sem precisão.&lt;br /&gt;Dessa vez não houve gritos, cabeças baixas impediram revoltas. Consumado o presente, deitei passos largos e titubeados, sem vontade, mas com coragem e parti para a outra margem.&lt;br /&gt;Deixei na ilha, a pedidos feitos em língua clara, todos os pertences que um dia foram meus por sentimento.&lt;br /&gt;A correnteza pariu em mim dores e vicissitudes, mas criou de forma esquizofrênica uma tatuagem vermelha, de sangue rubro, de sangue apenas.&lt;br /&gt;Esqueci casa, cartas, presentes e sentidos, parti rápido e sem memória para terras estrangeiras. Na correnteza, foi-se aos poucos esfarelando qualquer memória da ilha, que aos poucos ficava submersa na maré que a deglutia.&lt;br /&gt;Ainda no mar, percebi que a ilha sumiu. Nada resiste ao encontro das águas.&lt;br /&gt;Deixei para os escafandristas a missão de um dia encontrar casa, cartas e sentidos. Bati braçadas rumo a terras estrangeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-3062175656533702078?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/3062175656533702078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=3062175656533702078' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/3062175656533702078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/3062175656533702078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2009/02/dores-de-um-novo-mundo.html' title='DORES DE UM NOVO MUNDO'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SZLjz8dtRII/AAAAAAAAAJ0/KNH445wo-dU/s72-c/nadar.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-1311441312590894287</id><published>2009-02-08T21:53:00.010-02:00</published><updated>2009-02-08T22:32:04.226-02:00</updated><title type='text'>O FIM DAS TORRES DE MARFIM</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SY9xJTmHLtI/AAAAAAAAAJs/lA9QRic2bXI/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300579691131252434" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SY9xJTmHLtI/AAAAAAAAAJs/lA9QRic2bXI/s320/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Era noite alta e ainda assim não havia silêncio. Os brados de altos escalões ressonavam em tímpanos cansados. Era noite e ainda assim não havia amor.&lt;br /&gt;Na cilada da História, das provas e das palavras, era ainda difícil perscrutar os motivos de tanta raiva. Tanta desconfiança emanada de pulsões freudianas e hormônios sinestésicos.&lt;br /&gt;Na cadência das horas, dos minutos e dos olhares, surgiam afoitas investidas selvagens nas falhas dos argumentos, lançadas contra a sorte alheia. Eram tapas fonêmicos, símbolos quase líricos, não fosse o anti-clímax inerente.&lt;br /&gt;Na noite aberta, restavam incólumes as duas torres de marfim herméticas, duas celebridades cômicas, baseadas na desconfiança recíproca.&lt;br /&gt;As torres se digladiavam com armas ilusórias, buscavam ofuscar o marfim hermético uma da outra. Não toleravam o brilho alheio, e por isso lançavam cuspes uma na outra. Não se toleram e os que sobravam ao redor, com um olhar de baixo pra cima, podiam ver e ouvir as armas usadas, puras desconexões fora de contexto, palavras sem reflexão, empoeiradas pela falta de pudor e sensibilidade.&lt;br /&gt;Ao final, após uma cruzada sem Cristo, uma das torres parou, rachada, infiltrada de sulcos no marfim antes alvo.&lt;br /&gt;Com o cerne rachado, sem estrutura, sem pilares, sem estacas e fundamentações, era hora de implodir-se. Desmoronou num vazio insólito de agruras e tártaros, enquanto era observada pela outra torre também ferida.&lt;br /&gt;E a torre que se julgava a mais alva, a mais elevada, com fundamentos mais sólidos, com estacas mais fundas, palavras mais certeiras e ideias sublimes, foi justamente esta que se implodiu da mesma forma, não por corrosões, não por ferimentos, mas sim porque seu marfim avermelhou-se na poeira deixada pela outra. E sua razão perdeu qualquer sentido, pois, já não era alva o suficiente para ser marfim. Sua estrutura, então, lascou-lhe a vida em grossos volumes que caiam por terra desintegrando-a em nada mais que sombras.&lt;br /&gt;A dor da torre mais alta não era perceptível, não era física, era apenas clara consequência de que qualquer brancura, quando na guerra, se avermelha no sangue alheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-1311441312590894287?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/1311441312590894287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=1311441312590894287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/1311441312590894287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/1311441312590894287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2009/02/o-fim-das-torres-de-marfim.html' title='O FIM DAS TORRES DE MARFIM'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SY9xJTmHLtI/AAAAAAAAAJs/lA9QRic2bXI/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-6265452280059391496</id><published>2009-01-13T13:47:00.005-02:00</published><updated>2009-01-13T13:57:49.137-02:00</updated><title type='text'>EPIFANIA SEM VERSOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SWy5dcaV1OI/AAAAAAAAAJc/xXtsTRMUqSc/s1600-h/epifania+sem+palavras.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290807577747510498" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 253px; CURSOR: hand; HEIGHT: 180px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SWy5dcaV1OI/AAAAAAAAAJc/xXtsTRMUqSc/s320/epifania+sem+palavras.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No começo, não havia símbolos. Eram apenas certezas universais entre sorrisos.&lt;br /&gt;No começo, um olhar dizia mais que quaisquer palavras, quaisquer atos de amor eram decodificados num sistema invisível, conhecido apenas bilateralmente, por aqueles que amam.&lt;br /&gt;A mágica dos toques e afagos lançava certezas que não desejavam qualquer explicação. Não procuravam as origens dos seus sentimentos. Eram feitos de matéria brilhante, de algo etéreo sem qualquer identificação.&lt;br /&gt;A linguagem do passar das horas era oculta, distinta, alquímica, capaz de acelerar e desacelerar o tempo na cadência que desejassem. Não havia símbolos, não havia linguagem capaz daquela afinidade tão certa e completa. Não havia, portanto, palavras. Eles menosprezavam as palavras, repudiavam suas letras, seus significados. O tato jazia como intérprete universal do amor. O contato, assim, tornava-se próximo, desnudo e sem manobras lógicas, sintáticas.&lt;br /&gt;Essa linguagem de gestos perdurava na noite aberta como um manifesto silencioso. Os seres de símbolos rejeitavam qualquer lógica, qualquer racionalização do momento que sorviam. Por isso, os hemisférios se entrelaçavam sem qualquer pudor. E seus corpos ganhavam significado na medida em que se lançavam na alteridade desconhecida.&lt;br /&gt;No mais, o que viviam não se torna visível nas letras. Não há sequer formas narrativas que se abeirem de relatar aquele momento holístico. E pouco se importavam. Desejam mais perderem-se mutuamente num momento impronunciável.&lt;br /&gt;Naquele universo intangível, um simples olhar serrado deixava de graça mais reflexos que palavras somadas em versos lapidados.&lt;br /&gt;Naquele universo, em seu princípio, o aperto de quatro mãos entrelaçadas em seus opostos lançava na noite uma epifania sem versos, um desabrochar de sorrisos sem qualquer lógica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-6265452280059391496?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/6265452280059391496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=6265452280059391496' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/6265452280059391496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/6265452280059391496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2009/01/epifania-sem-versos.html' title='EPIFANIA SEM VERSOS'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SWy5dcaV1OI/AAAAAAAAAJc/xXtsTRMUqSc/s72-c/epifania+sem+palavras.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-9018368401236053360</id><published>2008-12-26T11:37:00.001-02:00</published><updated>2008-12-26T11:39:39.726-02:00</updated><title type='text'>ASPECTOS DA ANSIEDADE</title><content type='html'>Parafraseando um grande amigo, ressalto em brado aberto: "&lt;em&gt;Há de dar tempo".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-9018368401236053360?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/9018368401236053360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=9018368401236053360' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/9018368401236053360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/9018368401236053360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2008/12/aspectos-da-ansiedade.html' title='ASPECTOS DA ANSIEDADE'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-855634901397886065</id><published>2008-11-29T19:13:00.005-02:00</published><updated>2008-11-29T19:38:02.805-02:00</updated><title type='text'>SOMBRAS MARÍTIMAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/STG0z0cfj3I/AAAAAAAAAJM/yCmD7SVJ2Wk/s1600-h/sombras+mar%C3%ADtimas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274195440972042098" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 296px; CURSOR: hand; HEIGHT: 216px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/STG0z0cfj3I/AAAAAAAAAJM/yCmD7SVJ2Wk/s320/sombras+mar%C3%ADtimas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Em minha vida, há momentos de temidas introspecções. Há dias em que contemplo, aturdido, os abismos que me rodeiam. São efervescências, lucubrações sem fim trazidas no seio de um canchal de vitupérios e decantações.&lt;br /&gt;Há dias em que me admira a sorte (ou azar) que trago estampado no peito errante. São percepções acerca do conjunto de momentos que formam minha vida. São momentos de abstrações acerca dos fatos e vidas que cercaram e ainda cercam meus sonhos.&lt;br /&gt;De dentro para fora, surgem variações acerca da vida, incertezas bem vindas que convivem comigo em estreita relação de mutualismo. Esforço-me em procurar sentidos absortos nesse estardalhaçar de possibilidades. Esforço-me para controlar o medo das perdas certas e purgar ansiedades intrépidas em meio a esse mar de indeterminações.&lt;br /&gt;Ah! Como esse mar me fascina e me lapida! Como é fácil afogar certezas de juízos néscios! Basta um mergulho nos ditames da alma, um olhar privilegiado rumo ao centro das percepções e todas as certezas são deitadas por terra num gesto certeiro, clara demonstração de inegável superficialidade.&lt;br /&gt;É nesse mar eterno que resido, procurando abrigo em conchas submarinas onde ainda resiste o oxigênio. Procuro alimento incerto em fauna e flora nativas e estranhas, frutos desse mar de águas turvas e oblíquas.&lt;br /&gt;Mas é bem aí que, de tempos em tempos, recebo visitas de correntes mornas, onde lanço meu corpo em obtusas manobras, e deixo meu peso ao sabor das marés. Como um escafandrista, pairo por sinuosidades longínquas, sombras onde reencontro infâncias e sabores. Por lá, nas cadências abissais, divirto-me com carrinhos de madeira e estilingues de precisão para depois retornar às velhas conchas, onde ainda resiste o oxigênio.&lt;br /&gt;Quando volto das sombras, respiro um ar ainda úmido, de odores marítimos que se perdem com o decurso do tempo.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando volto das sombras, meto-me a ler ficções de Borges, procurando deixas que me permitam silenciar rumores, acalmar angústias e preservar os sonhos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-855634901397886065?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/855634901397886065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=855634901397886065' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/855634901397886065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/855634901397886065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2008/11/sombras-martimas.html' title='SOMBRAS MARÍTIMAS'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/STG0z0cfj3I/AAAAAAAAAJM/yCmD7SVJ2Wk/s72-c/sombras+mar%C3%ADtimas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-2882874466986283133</id><published>2008-09-02T17:23:00.002-03:00</published><updated>2008-09-02T17:38:59.072-03:00</updated><title type='text'>NOVAS VIAGENS</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SL2jdnp44uI/AAAAAAAAAGo/DR_F73OTtDI/s1600-h/DSC00305.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241525270585336546" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SL2jdnp44uI/AAAAAAAAAGo/DR_F73OTtDI/s320/DSC00305.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Eis que começou assim de repente e acabou num susto seco. Foi de supetão e não teve mais jeito. De súbito, os cinco anos que lhe foram contados antes de lhe serem entregues haviam se esvaído sem qualquer pudor.&lt;br /&gt;Ao longo dos anos, ele perambulava pelas ruas e pela praça com as mãos nos bolsos da calça jeans sem qualquer pretexto.&lt;br /&gt;Fumou, bebeu, deu risadas, escreveu, riscou, amou e chorou. Quando se deu conta, seus olhos ganharam uma quebra de página, um pasmem sem qualquer grito.&lt;br /&gt;Na face, um sulco de vida entortava a pele ainda rija. Eram as conseqüências da noite que tanto amava.&lt;br /&gt;E agora, não desejava o final, pedia uma sobrevida egoísta na demonstração mais humilde de que ainda queria um pouco mais, só um pouco mais...Talvez sejam as pessoas daquele lugar, ou ainda daqueles cinco anos de noites, letras e sonhos.&lt;br /&gt;Mas ele sabe que seu pedido traduz-se numa bagatela. Logo sacode a cabeça e lancina o olhar. Eis o caminho a tua frente.&lt;br /&gt;Ele olha para o lado e, feliz, sabe que viveu. Sabe que agora as viagens serão mais altas. Lembra-se então dos que caminharam com ele e que agora preparam-se para viajar.&lt;br /&gt;Deixa de graça um sorriso maroto e, numa prece quieta, evoca sua sinceridade para desejar baixinho que um dia todos viajassem juntos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-2882874466986283133?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/2882874466986283133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=2882874466986283133' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/2882874466986283133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/2882874466986283133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2008/09/novas-viagens.html' title='NOVAS VIAGENS'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SL2jdnp44uI/AAAAAAAAAGo/DR_F73OTtDI/s72-c/DSC00305.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-5517589010994385538</id><published>2008-08-08T00:45:00.004-03:00</published><updated>2008-08-29T12:41:33.607-03:00</updated><title type='text'>ENTRE AMIGOS</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SJvCKS8WFxI/AAAAAAAAAGE/2mK7brPmH8Q/s1600-h/dore4.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SJvCKS8WFxI/AAAAAAAAAGE/2mK7brPmH8Q/s320/dore4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231988874260387602" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Havia um arquipélago de seduções onde eu dormia estéril. Minhas habilidades físicas jaziam rotas no silêncio desmedido da noite.  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Reinava um sonho preto-e-branco de intenções veladas. Os poucos recortes que sobraram dele são como brilhos caóticos de um diamante impalpável. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;As poucas recordações do sonho, por qualquer motivo ainda excêntrico, congregam apenas imagens foscas de um lugar distante, onde acontecia um diálogo sério, versando sobre identidades e papéis.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Alguns livros esparramados por uma mesa onírica ditavam o tom erudito do diálogo. Neste momento, meu corpo não era mais que a imagem taciturna do vazio. Nos instantes do sonho, a vida acontecia em outro lugar, distante, entre amigos. E meu corpo era apenas a testemunha de uma atividade clarividente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Era um lugar de pessoas sérias, mas não trago comigo mais que suas vozes temperadas. As faces por trás das vozes são como um mistério metafísico incapaz de qualquer adivinhação. Senti-me por alguns instantes como que em meio a profetas de palavras certeiras. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Deito agora ao fio da pena apenas as impressões imprecisas do lugar onde estive. Lanço no papel rabiscos de um rascunho grosseiro, caricaturas ensangüentadas feridas por navalhas de letras.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas nas imagens que guardo nos bateres do peito, brota um alvorecer de sentimentos intangíveis. Uma certeza feita de passos n’água e visões diáfanas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pressentimentos da volta formavam um risco perplexo entre a junção de mente e corpo. Nas paragens de cá as horas corriam alucinadas e demandavam o retorno.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Chegava o final da noite e do sonho e acontecia ali o retorno às paredes do quarto e às penumbras do sol ainda por nascer. Aos poucos, meus olhos se abriram ainda aturdidos e confusos de luzes e sombras.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O dia nascia. Levantei-me da cama e, de súbito, abri a janela num gesto certeiro. Contemplei o canchal de luzes num silêncio aturdido e fiz do momento uma prece humilde.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Respirei o ar da manhã como quem aspira certezas atávicas e desejei o dia num ardor de pulso e alma. Guardei num soluço uma alegria singela e senti-me feliz por saber que naquele dia tão lindo respirei satisfeito sabores de longe.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Rafael Guerreiro&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-5517589010994385538?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/5517589010994385538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=5517589010994385538' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/5517589010994385538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/5517589010994385538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2008/08/entre-amigos.html' title='ENTRE AMIGOS'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SJvCKS8WFxI/AAAAAAAAAGE/2mK7brPmH8Q/s72-c/dore4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-7953512885392862574</id><published>2008-08-08T00:37:00.005-03:00</published><updated>2010-05-14T13:10:18.551-03:00</updated><title type='text'>EM BUSCA DO SOL</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SJvBQabIocI/AAAAAAAAAF8/_Fn3AJovyeY/s1600-h/1164858946_tocando_violao_com_por_de_sol.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231987879836164546" style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; WIDTH: 307px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 231px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SJvBQabIocI/AAAAAAAAAF8/_Fn3AJovyeY/s320/1164858946_tocando_violao_com_por_de_sol.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Minha namorada e eu recentemente fizemos uma viagem de ônibus cruzando o sul do Estado de Minas Gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas cidades que passamos, acabei por conhecer várias pessoas. Eram homens e mulheres que passavam pelas rodoviárias, indo e voltando dos mais variados lugares. &lt;p class="MsoNormal"&gt;Alguns traziam no peito uma saudade antiga, uma tristeza das mais solitárias; outros saíam forçados de seus lares, tentando a vida do jeito que podiam. Mas todos, de certa forma, traziam consigo suas próprias lembranças. Eram narradores solitários que nunca esperaram por qualquer ouvinte interessado em suas histórias.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando regressávamos a Franca, passamos pela rodoviária de uma das muitas cidades que paramos. Eu estava cansado e faminto. Esperava ansioso o ônibus ainda incerto, pois no guichê da rodoviária, nos disseram que as passagens haviam se esgotado e, por isso, talvez não poderíamos chegar a Franca no mesmo dia. Mas mesmo assim, ficamos na madrugada esperando pela sorte.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Enquanto esperávamos, um viajante qualquer se aproximou. Tratava-se de um vendedor ambulante aguardando seu ônibus. Era da Bahia e trazia consigo uma enorme caixa de isopor equilibrada na cabeça e um violão junto ao ombro.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Num primeiro momento não dei conversa, mas, de súbito, passamos a conversar enquanto o ônibus demorava. Então, contou-me que já viajou por todo o Brasil, procurando as festas e jogos de maior calibre, onde se alojava tentando vender suas latinhas de bebida. Quando terminavam as festas e os jogos, juntava seus pertences e partia para outras paragens, em busca do sol. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Falou ainda que diante das muitas andanças que fazia, passou a colecionar os bilhetes das viagens. De tão exóticas e distantes - dizia ele - mereceram ser postas numa caixa bem guardada em sua casa. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas no meio do assunto, sem cerimônias, foi-se embora tomar o ônibus que acabara de chegar. É uma pena, porque ele se foi e não tive tempo de saber o porquê de carregar junto com tamanha caixa e peso um violão pendurado com custo junto ao ombro. Ora, se estava trabalhando, acredito que não teria muito tempo para tocar músicas, tão pouco apresentá-las ao público. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Foi-se embora e sumiu na multidão. Nunca saberei de fato o que pretendia com o violão. Resta-me apenas imaginar alguma coisa, um sentido para aquele instrumento.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Talvez pretendia trazer em seus tocares a lembrança de sua terra, quiçá um hino triste de sua sina de viajante. Poderia ainda ser o violão apenas um alívio que encontrou para suportar a solidão de tantos quartos estrangeiros pelos quais passou.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas não teve jeito. Foi-se embora deixando-me com a curiosidade aguçada e um sentimento inacabado.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Em minha memória, ficaram apenas uma caixa de bilhetes de viagem e a imagem do violão, que por certo ressoará melodias de lugares distantes, tocadas na toada triste do viajante em busca do sol.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Rafael Guerreiro&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-7953512885392862574?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/7953512885392862574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=7953512885392862574' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/7953512885392862574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/7953512885392862574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2008/08/minha-namorada-e-eu-recentemente.html' title='EM BUSCA DO SOL'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SJvBQabIocI/AAAAAAAAAF8/_Fn3AJovyeY/s72-c/1164858946_tocando_violao_com_por_de_sol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-8528322088339918507</id><published>2008-08-08T00:30:00.002-03:00</published><updated>2008-08-08T00:37:26.748-03:00</updated><title type='text'>ESCUTEMOS, POIS, A BANDA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SJu_YsCY-0I/AAAAAAAAAF0/-Wb5AddPOxE/s1600-h/bandinha.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SJu_YsCY-0I/AAAAAAAAAF0/-Wb5AddPOxE/s320/bandinha.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231985822979914562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Começo por um assunto engraçado. Eu caminhava pela rua quando, de súbito, em minha frente um garotinho levou um tropicão. Certamente, o garotinho não contava mais de dez anos. A garotinha que o acompanhava (muito provavelmente sua irmã) desatou uma risada das mais gostosas.  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O garotinho não machucou, pelo contrário, logo saiu rindo junto com sua suposta irmã e foram embora degustando o acontecido!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enquanto isso, eu passava no meio deles e não pude deixar de repará-los. A risada alegre e pura foi tão espontânea que não teve jeito, contagiou-me! Comecei a rir de canto de boca e passei por eles enquanto lembrava de quando eu costumava rir daquele jeito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Aos olhos dos meus leitores, tal fato pode mesmo parecer apenas tolice, mas mesmo assim resolvi escrever sobre o acontecido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Na verdade, escrevi esta crônica para mim mesmo, para não me esquecer de dar boas risadas como aqueles garotos. Esta crônica cabe-me antes como uma advertência, um conselho inominado sobre algo simples, mas esquecido por mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sei ao certo os motivos, talvez sejam os problemas jurídicos com os quais meus estudos me levaram a lidar diariamente; talvez sejam ainda as formalidades dos ritos processuais. Seja como for, há tempos minha vida se encerra em papéis e computadores e não creio serem estes objetos muito engraçados, dignos de boas risadas espontâneas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Portanto, talvez seja daí onde surge meu espanto diante de uma simples risada gostosa, e este espanto é algo preocupante, um termômetro contando já altos graus.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A vida não deveria se espantar com certas simplicidades e alegrias como esta, desprovidas que são de malícias. Elas não deveriam apresentar-se como tão raras.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Antes seria melhor fazer dos fatos não mais que uma simples passagem de uma alegre banda que chega cantando e tocando. Às vezes ela até passa, como passaram aqueles garotinhos, mas a seriedade dos problemas tende a cegar-me os olhares.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eis aí a esfinge dos sérios: transformar os dias e sua gravidade na cadência de uma banda que passa! &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Deixemos, pois, a banda fazer-se ouvir e passar. Não é mais certo senão entusiasmar-se com ela. É um santo remédio essa banda, suas músicas, sua alegria de ontem e hoje. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Escutemos, pois, a banda, ela resolve por si só alguns problemas sem solução. É verdade, acreditemos em sua homeopatia: funciona!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O remédio é santo, o Grande Chico já o disse. E não é que até mesmo o homem sério que contava dinheiro parou para vê-la, ouvi-la e dar-lhe passagem?&lt;/p&gt;Rafael Guerreiro&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-8528322088339918507?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/8528322088339918507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=8528322088339918507' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/8528322088339918507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/8528322088339918507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2008/08/escutemos-pois-banda.html' title='ESCUTEMOS, POIS, A BANDA'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SJu_YsCY-0I/AAAAAAAAAF0/-Wb5AddPOxE/s72-c/bandinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-7337985950681315275</id><published>2008-04-21T09:40:00.005-03:00</published><updated>2008-04-21T17:51:55.178-03:00</updated><title type='text'>É NESSE LEVA-E-TRAZ QUE EU ME DESCUBRO...</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_Z3symGHC-5c/SAyM8fViQCI/AAAAAAAAAFs/YPExwDAl7xw/s1600-h/dias+trovadores.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191679441283203106" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 264px; CURSOR: hand; HEIGHT: 263px" height="278" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_Z3symGHC-5c/SAyM8fViQCI/AAAAAAAAAFs/YPExwDAl7xw/s320/dias+trovadores.jpg" width="288" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mas o que é isso? Não há mais choro, nem morte. O que tenho é antes alívio.&lt;br /&gt;Tenho amigos, livros e trago em mim facetas insondáveis. Não tenho tesouros meus, embora eu usasse mesmo mais os dos outros.&lt;br /&gt;Trago em mim um encontro marcado, algo que tinha que acontecer e que aconteceu. É a minha história acontecendo, são os dias e as pessoas que eles trazem e levam. Nunca vi nada que trouxesse e levasse tantas coisas de uma só vez. Eficiência de fazer inveja em qualquer Correio ou Fedex!&lt;br /&gt;E não é que para mim trouxeram boas pessoas! Muito, mas muito melhores do que eu!&lt;br /&gt;Trouxeram também sonhos, tentativas e novas descobertas. E eu tenho que ficar por aí, dando conta de inventar um jeito de lidar com tanta fauna e flora diferente!&lt;br /&gt;São mesmo uns trovadores esses dias. Sempre convidando a gente a acreditar em suas serenatas e trovas diárias. E se não acreditamos nesses dias, se não nos entregamos aos seus caprichos o que nos resta?&lt;br /&gt;O bom é que pelo menos eles têm um senso de humor afinado e adoram uma bela troça.&lt;br /&gt;Esses dias.... Ah! Esses dias e suas troças curiosas... Não é que agora me trouxeram um livro e dois amigos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-7337985950681315275?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/7337985950681315275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=7337985950681315275' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/7337985950681315275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/7337985950681315275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2008/04/nesse-leva-e-traz-que-eu-me-descubro.html' title='É NESSE LEVA-E-TRAZ QUE EU ME DESCUBRO...'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_Z3symGHC-5c/SAyM8fViQCI/AAAAAAAAAFs/YPExwDAl7xw/s72-c/dias+trovadores.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-9102201441622205462</id><published>2008-03-11T02:04:00.003-03:00</published><updated>2008-03-11T09:55:47.271-03:00</updated><title type='text'>MAR DE RESSACA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R9YTBR6xNaI/AAAAAAAAAEo/j5TrthHYuBw/s1600-h/janela+para+o+mar.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5176345734419658146" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R9YTBR6xNaI/AAAAAAAAAEo/j5TrthHYuBw/s320/janela+para+o+mar.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quantos são ainda os tormentos que terei de expurgar como que exorcismos de mim mesmo? Quantos são ainda os beijos de suplício ensandecido dos quais carecerei?&lt;br /&gt;Deixo aos pés da mansarda apenas a certeza de que seguro a linha como o velho de Hemingway, até o sangue transbordar da carne para a água.&lt;br /&gt;No encontro comigo mesmo, espero que a maré traga algum tesouro, alguma garrafa que contenha os desejos mais bem guardados, os objetos mais particulares que os escafandristas não encontraram em nenhum mar profundo.&lt;br /&gt;Deito os cotovelos na janela de um ocaso inóspito e ouço do mar serestas intangíveis, sons de um compasso muito próximo, sons de uma toada feita a dois.&lt;br /&gt;Guardo ainda dentro de mim o entusiasmo das ondas, o encontro com meus sentimentos tão símiles da dor, tão fomentadores do vento. Guardo ainda em meus desertos sequiosos a carícia de um amor, o desencontro amorfo de vitórias e derrotas.&lt;br /&gt;Sei que do tempo espero respostas, sei que do mar espero similitudes, anseio por descobrir invasões bárbaras que fizessem em mim mesclas de cores e corpos. Espero do mar sensações de aconchego onírico, onde eu possa saciar-me a mim mesmo em êxtases de liberdade.&lt;br /&gt;Naquela janela de fronte ao mar deito minha vida, esperando dele uma fidelidade inviolável. Com o olhar fixo permanecerei ali, aguardando daquele oceano inspirações tão raras, tão sedentas de vida. Ficarei ali como quem aguarda no porto. Sei que minha profissão será a espera no porto pelo encontro inesperado de ventos intermitentes. Espero no porto pela maré de toques e afagos. Espero no porto por um amor que chegue com as ondas e que fique nas redes que lancei naquele mar de ressaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-9102201441622205462?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/9102201441622205462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=9102201441622205462' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/9102201441622205462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/9102201441622205462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2008/03/mar-de-ressaca.html' title='MAR DE RESSACA'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R9YTBR6xNaI/AAAAAAAAAEo/j5TrthHYuBw/s72-c/janela+para+o+mar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-264706817507004554</id><published>2008-03-08T14:14:00.005-03:00</published><updated>2008-03-24T23:37:53.819-03:00</updated><title type='text'>RECORDAÇÕES DA TERRA DOS VIVOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R9LLbR6xNZI/AAAAAAAAAEg/GxhM_GgTElc/s1600-h/Miguel%2Bangelo,%2Bcria%C3%A7%C3%A3o%2Bde%2Bad%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175422591328925074" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="226" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R9LLbR6xNZI/AAAAAAAAAEg/GxhM_GgTElc/s320/Miguel%2Bangelo,%2Bcria%C3%A7%C3%A3o%2Bde%2Bad%C3%A3o.jpg" width="277" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;São ainda pujantes as sendas do passado entrelaçadas por entre as sinuosidades do presente. Na infância, as horas tendem a se perpetuar em cada instante, em cada sensação nova que preenchia meus pensamentos e sorrisos.&lt;br /&gt;Por aqueles dias recheados de um brilho intenso e leve, onde o movimento dos instantes era perene, criando a escassa impressão de que o tempo não existia, era eu que por mais que sofresse as inconformidades alheias sentia antes em mim a presença de um Deus concreto, incapaz de se mostrar nos elementos de qualquer teoria. Eu podia segurá-Lo na mão, senti-Lo encarnado em mim tão concretamente como qualquer maçã que eu comia com gosto.&lt;br /&gt;Nas manhãs de sol, onde visões diáfanas enchiam de cor e vida o vaso novo que eu trazia em mim, eu voltava meus interesses todos para o desvendar de enigmas de uma vida curta ainda. Eram os movimentos dos quais hoje já não me disponho, eram sutilezas de uma alma incólume dos mistérios invisíveis que viriam a permear fatalmente apenas o mundo dos adultos. Mas como eram doces aqueles enigmas, como traziam em si paladares fortes de iguarias incertas e distantes. Como aquele tato, aquele paladar, aquele olfato e aquela visão eram tão simplesmente certas, postas diante de mim nitidamente como nada jamais ousou apresentar-se.&lt;br /&gt;Era essa a certeza que trazia até mim esse Deus de quem a pouco falava. Eram essas as sensações que a passos lentos e titubeados foram aos poucos construindo em mim estalactites, fundações de uma gruta absorta, inexoravelmente infinita, formada a duros custos na medida em que minha idéia do divino deixava irremediavelmente meus sentidos, minha concretude tão certa e palpável para percorrer agora apenas as incertezas de sinapses confusas e obscurecidas. Era esse o legado advindo da queda daquele maravilhoso, porém agora acanhado, anti-mundo de negação a tudo o que não se podia ver nem tocar.&lt;br /&gt;E como o tempo me empurrou para o colapso inescusável de meu próprio parto. Como foi que aos poucos minhas certezas foram lentamente aniquiladas por dias insólitos e suas dores vis? Como meus sentidos aos poucos passaram a me enganar e a me confundir? Como, justamente eles, meus sentidos nos quais eu depositava romanticamente minhas certezas passaram agora a negar-me as cores e luzes que antes somente eu avistava em meus próprios sorrisos? Não sei como o processo se deu. Não sei como permiti a mim saciar-me mais do vinho que das belas uvas de outrora; mas o que restaram dos sorrisos e de todo aquele mundo sortido de paladares fortes e marcantes, são na verdade tentativas de negar o implacável fluxo do tempo. E por este exercício vital, bem pouco ainda consigo enxergar daquele antigo Deus por onde tudo fazia sentido. Era Ele imerso em sinestesias multicores, mas agora respira apenas de tempos em tempos, quando, despido de minhas verdades sérias, alço vôo em direção aos ventos de outrora, que insistem em querer arejar meu pesado músculo que dolorosamente perdeu-se nos meandros de abstrações sem nenhum sabor.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Imagem: A Criação de Adão, Michelangelo Buonarroti, 1511. Afresco, 280 x 570 cm. Teto da Capela Sistina (Roma)&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-264706817507004554?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/264706817507004554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=264706817507004554' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/264706817507004554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/264706817507004554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2008/03/recordaes-da-terra-dos-vivos.html' title='RECORDAÇÕES DA TERRA DOS VIVOS'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R9LLbR6xNZI/AAAAAAAAAEg/GxhM_GgTElc/s72-c/Miguel%2Bangelo,%2Bcria%C3%A7%C3%A3o%2Bde%2Bad%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-1005997754722391045</id><published>2008-02-19T13:16:00.004-03:00</published><updated>2008-02-19T13:44:33.989-03:00</updated><title type='text'>PROFISSÃO DE FÉ</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R7sBN8KvahI/AAAAAAAAAEQ/2b-a716Vn-c/s1600-h/pena+e+sangue.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5168726336338881042" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R7sBN8KvahI/AAAAAAAAAEQ/2b-a716Vn-c/s320/pena+e+sangue.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Lançar mão de minhas idiossincrasias e pô-las todas no papel é tarefa que sempre me apetece. Talvez sejam apenas frutos de uma mente inquieta, incansavelmente inquieta e investigadora, talvez apenas demonstrem as entranhas de um inconsciente perturbado. Não há meios de se saber isso. O que sei é que nasci assim, com esse ímpeto de escritor opaco, sem referências nem similitudes.&lt;br /&gt;Por vezes essa sina de escrever transtorna meu chão fatalmente concreto e estável. É que por de trás das letras começam a surgir toda sorte de impressões e sensações que trago em mim sobre o mundo que conheço. Seriam apenas conseqüências de não se ter um rumo a que seguir? Seriam espasmos de uma ansiedade latente e perturbadora? Deixo aos sábios as respostas de tais indagações. O fato é que nasci assim e me insiro na vida pela lógica escrita que teço.&lt;br /&gt;Deixo igualmente aos sábios a tarefa de analisarem meu pudor lógico e textual. Prefiro ficar apenas com o escasso ímpeto natural de continuar esta saga escrita que narra minhas impressões, sensações, conclusões e erros sobre minha vida. Afinal, o que escrevo não poderia deixar de ser senão para que os outros lessem, pois ninguém ascende uma vela para pô-la debaixo da mesa, conforme o que posso extrair da Bíblia.&lt;br /&gt;Digo apenas que venha o momento que vier, sejam os equívocos os que ocorrerem, mas trarei sempre em mim as sombras daqueles que passaram pela grande marcha e não se permitiram aquietar-se. Seja para concluir que o sertão está dentro da gente, seja para receber do anjo torto que vive nas sombras um destino sublime. Seja ainda, para me exilar em uma montanha mágica e me transfigurar ou ainda para arrancar do amor olhares de uma cigana oblíqua e dissimulada.&lt;br /&gt;E digo que terei filhos e que transmitirei a eles o legado de minha miséria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-1005997754722391045?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/1005997754722391045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=1005997754722391045' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/1005997754722391045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/1005997754722391045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2008/02/profisso-de-f.html' title='PROFISSÃO DE FÉ'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R7sBN8KvahI/AAAAAAAAAEQ/2b-a716Vn-c/s72-c/pena+e+sangue.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-830202129179873873</id><published>2008-02-05T13:39:00.000-02:00</published><updated>2008-02-05T13:43:06.152-02:00</updated><title type='text'>DURANTE A CHUVA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R6iD7FmUbTI/AAAAAAAAAEI/GfEwOilI5RI/s1600-h/Durante+a+chuva.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5163522023918693682" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R6iD7FmUbTI/AAAAAAAAAEI/GfEwOilI5RI/s320/Durante+a+chuva.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Naqueles pingos de chuva que caiam, deslizava o verbo ser em cadências repetidas.&lt;br /&gt;Chovia uma chuvinha fina, daquela que faz-nos prender a nós mesmos num estado de análise. No fundo, o motivo dessa melancolia era o tempo que teimava em passar tão rápido. Essa era a esfinge que consumia meus pensamentos.&lt;br /&gt;Recuso-me a acompanhar o tempo, prefiro a quebra da cadência repetida das horas sem adjetivos. Debruço-me em &lt;em&gt;déjà vus&lt;/em&gt; inesperados como quem procura advérbios para a alma.&lt;br /&gt;Olho para o chão próximo do meu quarto. Vejo apenas as ondas que se formavam pela queda dos pingos d’água amontoados. Esse era o movimento que eu buscava, desordenado, caótico, sem referências.&lt;br /&gt;A imagem onírica dos pingos que caíam, criava em mim a sensação de negar qualquer ordem artificial, qualquer tentativa ensandecida de regrar o presente em horários estabelecidos, em neuroses que me prendem num cárcere de grades invisíveis.&lt;br /&gt;Fecho os olhos num momento sem fim, onde já não há mais o tempo nem o mundo contido em suas leis humanas. Escuto simplesmente os pingos d’água caindo, caóticos, livres, comunicando a mim o recado nítido de que amam o que são, porque são livres enquanto existem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-830202129179873873?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/830202129179873873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=830202129179873873' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/830202129179873873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/830202129179873873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2008/02/durante-chuva.html' title='DURANTE A CHUVA'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R6iD7FmUbTI/AAAAAAAAAEI/GfEwOilI5RI/s72-c/Durante+a+chuva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-4403356915504806753</id><published>2008-01-30T00:31:00.000-02:00</published><updated>2008-01-30T11:57:45.556-02:00</updated><title type='text'>ORGULHO FERIDO</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R5_irlmUbSI/AAAAAAAAAEA/2iOx3_7TwCw/s1600-h/orgulho+ferido.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5161092936444964130" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R5_irlmUbSI/AAAAAAAAAEA/2iOx3_7TwCw/s320/orgulho+ferido.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Por estes dias que passaram, um desconhecido me insultou. Impossível saber quem foi, pois em nenhum momento esta pessoa disse quem era e quais os seus motivos. Tudo que sei é que fui alvo de insultos por um desafeto anônimo hipotético.&lt;br /&gt;Situação curiosa essa, porque nunca achei que tais coisas aconteceriam comigo de forma tão inesperada.&lt;br /&gt;O fato é que o incidente acabou por se transformar num curioso exercício. Passei então a moldar um rosto para o tal hipotético “boca-suja”. Sondei a dispensa de minha memória em busca de alguma lembrança do passado que pudesse justificar a atitude desse alguém, mas nada encontrei que pudesse fornecer um ponto de partida, quiçá uma suspeita.&lt;br /&gt;Inconformado, passei a analisar o presente e tive a mesma sensação de que ninguém traria consigo algo que o motivasse a desferir grosserias contra mim.&lt;br /&gt;E o rosto não se formava. O insulto abstrato se mantinha amorfo em minhas lucubrações, sem nenhum autor palpável, sólido. Apenas ficava lá, rindo de mim.&lt;br /&gt;Na verdade, com o tempo pude perceber que meu inconformismo provinha de minha vaidade, de minha não aceitação de que coisas como essa pudessem ocorrer. Foi quando descobri um molde para o tal fulano “boca-suja”. Pintei-lhe com tintas de vaidade e moldei seu rosto com matéria ensandecida de orgulho. Ficou horrível! Ótimo pra dar boas pancadas!&lt;br /&gt;Foi o que fiz, nessa aberração que criei, descarreguei toda incompreensão que me restava. Bati tanto que lhe abri muitas feridas. Deixei aquela coisa horrível tão ferida que mais parecia matéria inerte, morta. Parei apenas quando a coisa já não se movia, mas sei que não o matei, porque ninguém morre de orgulho ferido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-4403356915504806753?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/4403356915504806753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=4403356915504806753' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/4403356915504806753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/4403356915504806753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2008/01/orgulho-ferido.html' title='ORGULHO FERIDO'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R5_irlmUbSI/AAAAAAAAAEA/2iOx3_7TwCw/s72-c/orgulho+ferido.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-6368665323358308588</id><published>2008-01-23T20:11:00.000-02:00</published><updated>2008-01-24T09:58:28.832-02:00</updated><title type='text'>O SUMIÇO DO MENTIROSO</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R5e741mUbRI/AAAAAAAAAD4/pdHgbeJ6p-I/s1600-h/verdade+e+mentira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158798483311062290" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R5e741mUbRI/AAAAAAAAAD4/pdHgbeJ6p-I/s320/verdade+e+mentira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Era um senhor astuto, de frases e olhares ardilosos. Trazia consigo ostentações imaginárias e descrevia sempre em suas conversas situações inusitadas. Acostumou a mentir desde que se entendia por gente. Tal prática foi tão exercitada que passou a esquecer quem realmente era.&lt;br /&gt;Mas por de trás das aparências, mentiras eram sutilmente aplicadas, introduzidas no cotidiano como um vírus inoculado.&lt;br /&gt;E o velho mentia, sustentou mentiras por toda uma vida. E mentia e mentia e mentia.... Passou a vida mentindo, descaradamente. É bem verdade que muitas delas nunca serviram para nada, eram apenas reflexos de um espírito inconformado consigo mesmo. Na verdade, representavam farpas trocadas pelo divórcio entre o próprio sujeito e sua idiossincrasia.&lt;br /&gt;Era fato que mais cedo ou mais tarde as tais mentiras se deitariam por terra.&lt;br /&gt;Mas o que assustava era a necessidade que o tal sujeito tinha de mentir. O homem incorporou tanto a mentira que mais lhe parecia uma droga. Usava-se dela como um viciado que passa a vida beirando as bocas de fumo. E por de trás das palavras inverossímeis, o mau cheiro lançava sortilégios que por tanto tempo ludibriavam os inocentes que caíam neles.&lt;br /&gt;E desse jogo, saíram toda sorte de imaginações. O mentiroso mais parecia um artista, falava de como se tornou maçom, mas nunca havia recebido sequer um convite. Dizia com veemência ser profundo conhecedor das leis, dizia até mesmo ser bacharel em Direito, mas na verdade não havia terminado nem o segundo grau. E ainda, por suas mentiras, já viajou o mundo todo, conheceu os Estados Unidos e a França, a Bolívia e a Colômbia. O Brasil, então, conhecia do Oiapoque ao Chuí.&lt;br /&gt;Em suas tramas, conhecia políticos influentes. Todos se admiraram quando disse que fora amigo de Ulisses Guimarães, o político das “diretas já”, e dizia que pouco tempo antes de sua morte havia recebido uma carta do amigo ilustre.&lt;br /&gt;E adorava os detalhes, contava com inconfundível entusiasmo histórias de quando percorreu as matas de minas gerais, onde viu lobos-guarás, onças-pintadas e tantas outras coisas que não caberiam nem mesmo num desenho animado.&lt;br /&gt;Na escola então, nunca havia tirado nota menor que o próprio dez, e acrescentava o gravame de estudar sempre em cima do lombo do cavalo que o conduzia, pois a dificuldade era muita. Detalhe: a nota dez sempre vinha acompanhada de um modesto “honra ao mérito”.&lt;br /&gt;Claro que com tanta criatividade seu altruísmo não poderia ficar esquecido. Às vezes, quando comprava um peru de natal ou alguma outra iguaria mais cara, adorava contar em casa que o havia ganho como recompensa por ter ajudado uma suposta pobre senhora que passava por problemas com seu carro. Era mesmo um &lt;em&gt;“gentleman”!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E assim foi todos os dias, embaralhados, permeados por mentirinhas, por vezes inocentes, por vezes dolorosas, mas nunca mantidas por muito tempo. O fato é que a verdade sobre sua vida aos poucos foi sumindo, nem mesmo ele era capaz de se lembrar, ou talvez não queria.&lt;br /&gt;A sensação que anestesiava quem o escutava era a dó, deixavam passar as mentirinhas para não maltratarem aquela alma pueril. Contudo, era bem verdade que o pavio fora se consumindo ao longo do tempo junto com a paciência e, aos poucos, o exílio social passou a ser aplicado como corretivo. A descrença passou a ser latente entre os ouvintes.&lt;br /&gt;Com ironia e até mesmo com adequada dose de risadas, passaram a lembrar mais das mentiras contadas do que do próprio mentiroso. Foi quando o ostracismo o infectou como que uma doença incurável e degenerativa. Quando ele aparecia, enxergavam apenas um emaranhado de palavras sem valor, guardadas por uma existência sem crédito.&lt;br /&gt;Inconformado, sentiu que precisava mentir mais e mais para se sustentar. Era preciso fazer os outros acreditarem que ele era influente, que conhecia os políticos poderosos, o mundo com suas maravilhas e que viveu uma vida de aventuras. Mas quando abria a boca, os que ouviam deitavam tudo por terra com um simples olhar de descaso.&lt;br /&gt;Mas o velho mentiroso ainda tentava, extraía de sua imaginação resquícios de criatividade, juntava os restos que lhe sobravam e tecia mosaicos imaginários onde misturava verdade e mentira. Era o desespero que lhe acometia. Era a existência que lhe escorria pelas mãos. Não poderia viver agora sem as suas criações. Foram contadas por tanto tempo que agora negar-lhes era o mesmo que ter um membro amputado.&lt;br /&gt;Não! Era preciso mantê-las, porque para ele eram a mais pura verdade. Em meio a suores desesperados tentava se lembrar do que havia sido de verdade, mas as mentiras foram contadas tantas vezes que a barreira entre o falso e o verdadeiro tornou-se delgada demais. Era preciso mantê-las, porque sem elas não havia o mentiroso, não havia mais o seu próprio ser.&lt;br /&gt;Foi quando olhou para baixo e percebeu que seus pés haviam desaparecido. Na verdade, ele todo estava por desaparecer. Na medida que se indagava sobre o que havia sido antes das mentiras, perdia um pedaço de perna ou era um braço inteiro que sumia, apagava-se por completo. Quanto mais a consciência lhe cutucava, mais os membros sumiam. O horror lhe abraçava com garras de onde não era possível escapar. Os olhos arregalados de desespero não queriam acreditar no que viam, mas o corpo se consumia em meio a gritos perplexos.&lt;br /&gt;O povo assistia ao fato inédito sem muito o que comentar. Sufocado, o velho tentava a todo custo se manter equilibrado, mas faltaram-lhe pés, pernas e metade do tronco.&lt;br /&gt;Então, o velho percebeu o vexame, era necessário ocultar aquele sufrágio pelo qual passava, o povo não poderia vê-lo naquela condição. E numa última tentativa desesperada de provar para si e para todos que nada daquilo acontecia, gritou para que o ouvissem – &lt;em&gt;“É mentira! É mentira! É mentira!”&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Mas ninguém acreditou. E o velho mentiroso desaparecia balbuciando e babando horrorizado, enquanto se despedia da boa-fé de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-6368665323358308588?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/6368665323358308588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=6368665323358308588' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/6368665323358308588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/6368665323358308588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2008/01/o-sumio-do-mentiroso.html' title='O SUMIÇO DO MENTIROSO'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R5e741mUbRI/AAAAAAAAAD4/pdHgbeJ6p-I/s72-c/verdade+e+mentira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-6060357845305630752</id><published>2008-01-16T14:58:00.000-02:00</published><updated>2008-01-16T15:06:35.518-02:00</updated><title type='text'>IMPERFEIÇÕES DO FILHO DO OLEIRO</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R4440WLYUaI/AAAAAAAAADw/iWLkrzn0ag8/s1600-h/oleiro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156121095343460770" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R4440WLYUaI/AAAAAAAAADw/iWLkrzn0ag8/s320/oleiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Qualquer explicação! Por favor, tragam-me uma explicação, pois contaram a mim a história errada.&lt;br /&gt;Foi ainda nos tempos de eu criança quando as imagens já não se casavam mais. Da inocência restaram apenas cinzas. Dos sorrisos, apenas simulacros de um imago feito às pressas, como um vaso defeituoso do oleiro impaciente.&lt;br /&gt;É que por de trás das máscaras restam tão poucas palavras... Tanto improviso trago junto ao peito que o excesso o transformou em terra sequiosa.&lt;br /&gt;O espírito resta inerte, distante do mundo de lá, solto, perdido. Não há vento, quiçá nunca ouve, falta o essencial. Falta o movimento da alma.&lt;br /&gt;Falta a mim mesmo num colapso temporal que se sabe terrivelmente rápido. A história que contaram solidifica-se na rapidez dos dias, endurece, se enrijece, torna-se mentira inquebrantável, que contada várias vezes passa a trazer consigo uma verdade forjada e malcheirosa.&lt;br /&gt;Contaram-me a história errada. Disseram-me que o espetáculo seria livre. Afirmaram que na vida a música seria constante, e que jamais um passo de dança seria pedra de tropeço.&lt;br /&gt;Convenceram-me, ainda criança, de que a vida era um belo &lt;em&gt;allegro&lt;/em&gt;. Mas asseguro: &lt;em&gt;allegro ma non troppo&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Queriam ver em mim apenas sorrisos. Contaram-me a história errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-6060357845305630752?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/6060357845305630752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=6060357845305630752' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/6060357845305630752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/6060357845305630752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2008/01/imperfeies-do-filho-do-oleiro.html' title='IMPERFEIÇÕES DO FILHO DO OLEIRO'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R4440WLYUaI/AAAAAAAAADw/iWLkrzn0ag8/s72-c/oleiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-5737844680675060581</id><published>2008-01-14T12:06:00.001-02:00</published><updated>2008-01-16T14:36:05.807-02:00</updated><title type='text'>CÂNONES DA LIBERDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R4tu6WLYUZI/AAAAAAAAADo/GOqAQc3oess/s1600-h/liberdade2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5155336147120443794" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R4tu6WLYUZI/AAAAAAAAADo/GOqAQc3oess/s320/liberdade2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Na imagem de seus olhos marejados, a realidade esquizofrenizava-se. E das várias facetas surgidas, um espectro de desespero lhe sorria sarcasticamente um agouro de sofrimento. &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Deixava a casa dos pais para nunca mais voltar. Abandonava para trás histórias causadoras de um amor atávico. Para frente, apenas conseqüências de uma decisão já canonizada. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;O que lhe marcava era a necessidade da alma, anseios provindos da certeza de se saber em meio aos dias que passam rápido. Sabia que com isso emaranhava-se na vida como qualquer um. E dessa normalidade extraia a pouca calma necessária para um derradeiro alento: respirar em paz, sentir a liberdade de dias autografados por sua própria responsabilidade. No fundo, a idade pulsava, requeria improvisos burladores do marasmo pré-estabelecido.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Fechou a porta pela última vez. A saída pelo portão era na verdade um batismo. Não olhou para trás. &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Ao lançar-se na rua, lembrou-se do agouro e jogou-o fora como quem lança lixo ao lixo. Pisava suas dúvidas como quem pisa uvas para que o vinho surja. Com isso, um súbito rufar de árvores pelo vento forte profetizava o movimento que viria pela frente. Aprendeu seu norte, guiou-se pelo caminho do vento. &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Levava consigo apenas o brilho do entusiasmo e a coragem por se saber livre. Deixava para trás o franzino e impotente &lt;em&gt;tout à coup&lt;/em&gt; para criar raízes em sonhos sem fim. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fez-se homem, ganhou o mundo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Rafael Guerreiro&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-5737844680675060581?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/5737844680675060581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=5737844680675060581' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/5737844680675060581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/5737844680675060581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2008/01/cnones-da-liberdade.html' title='CÂNONES DA LIBERDADE'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R4tu6WLYUZI/AAAAAAAAADo/GOqAQc3oess/s72-c/liberdade2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-9206006189951392929</id><published>2008-01-11T13:43:00.000-02:00</published><updated>2008-01-13T18:30:09.017-02:00</updated><title type='text'>LÁGRIMAS NA CHUVA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R4ePnWLYUXI/AAAAAAAAADY/fPm_IBvoAcw/s1600-h/blade+runner_chuva.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154246204679803250" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R4ePnWLYUXI/AAAAAAAAADY/fPm_IBvoAcw/s320/blade+runner_chuva.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Recentemente assisti uma vez mais ao clássico &lt;em&gt;Blade Runner – O caçador de andróides,&lt;/em&gt; do aclamado diretor Ridley Scott. O filme é referência dentro da temática da ficção científica. Baseia-se na novela “Do Androids Dream of Electric Sheep?”, de Philip K. Dick. Por suas cenas, nos deparamos com um mundo futurista ficcional dominado pela tecnologia aplicada na fabricação de seres "replicantes" (andróides produzidos para superar os humanos em habilidades e inteligência, feitos para trabalhar nas colônias espaciais).&lt;br /&gt;Assisti à versão remasterizada (&lt;em&gt;The director’s cut&lt;/em&gt;), com novas cenas e um final diferente daquele apresentado na versão original.&lt;br /&gt;Para esta crônica, extraio do filme um discurso de um dos personagens principais, o vilão “replicante” &lt;em&gt;Roy Batty&lt;/em&gt;, estrelado por Rutger Hauer. Em uma cena magistral o tal vilão salva da morte aquele que por profissão deveria eliminá-lo, o caçador de andróides &lt;em&gt;Deckard&lt;/em&gt;, estrelado por Harrison Ford.&lt;br /&gt;Durante todo o filme é relatada a busca incessante do andróide por expandir seu tempo de vida, pois havia sido programado para se extinguir após um tempo extremamente curto.&lt;br /&gt;O filme gira em torno dessa crise existencial sofrida por este personagem de vida curta, que busca incessantemente passar a diante as experiências pelas quais passou; ocorre que &lt;em&gt;Deckard&lt;/em&gt; foi pago para eliminá-lo, pois tais seres passaram a representar um forte perigo para os humanos devido à sua superioridade física.&lt;br /&gt;Mas não se preocupem, não adentrarei mais aprofundadamente ao mérito do filme, até para preservar aqueles que ainda não o assistiram. Vou direito ao ponto.&lt;br /&gt;Então, na tentativa de demonstrar que sente o fim de sua existência assim como um autêntico ser humano, o personagem de Hauer lança aquele que, para minha humilde experiência cinéfila, é o mais antológico dos discursos (pelo menos nos filmes de ficção científica já feitos). Seguem as suas memoráveis palavras:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Vi coisas nas quais vocês nunca acreditariam. Naves de ataque em chamas perto da borda de Orion. Vi a luz do farol cintilar no escuro no Portal de Tannhaüser. E todos esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva. Hora de morrer...”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;São com essas palavras que trago à tona minhas experiências, minha história emaranhada no cotidiano e o sentido de minha existência.&lt;br /&gt;O personagem fictício, mesmo não sendo humano, queria sê-lo, desejava perpetuar a sua própria identidade. No fundo, como qualquer ser humano, buscava a comunicação com o próximo, com aquele que o sucederia e que o tornaria imortal, nas memórias daqueles que conseguiu cativar.&lt;br /&gt;Como ele, também eu e – assim creio - cada um de nós, busca este mesmo objetivo, de manter-nos vivos nas memórias dos que amamos. Buscamos o conforto de encontrar no próximo a conexão que permita contar quem somos nós mesmos, nossas fantasias e nossos sonhos pueris e lindos por sua singularidade.&lt;br /&gt;Assim como o andróide, também nós, de uma forma ou de outra, trazemos conosco nossas “naves espaciais” e nossas estrelas lindas e brilhantes vistas por dentro, capazes de serem descritas apenas por nós mesmos, em palavras escolhidas para interpretarem nossas próprias experiências. Trazemos conosco a vocação para testemunhar nossa própria história.&lt;br /&gt;Em nossa natureza, carregamos o anseio de poder contar de onde viemos, quem somos e para onde vamos, sem certezas, sem definições, mas com poesia e entusiasmo.&lt;br /&gt;Sabemos que jamais responderemos a tais perguntas, apesar de sua importância indescritível. Mas, para termos apenas um vislumbre das respostas, deixamos que reine a poesia entre o mundo que enxergamos e aquele que não enxergamos.&lt;br /&gt;Dessa forma nos imortalizamos, negamos o nada e seu vazio impedindo que nossos momentos se percam como lágrimas na chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagem: &lt;em&gt;BladeRunner - O caçador de andróides &lt;/em&gt;(Direção Ridley Scott, 1982)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-9206006189951392929?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/9206006189951392929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=9206006189951392929' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/9206006189951392929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/9206006189951392929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2008/01/lgrimas-na-chuva.html' title='LÁGRIMAS NA CHUVA'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R4ePnWLYUXI/AAAAAAAAADY/fPm_IBvoAcw/s72-c/blade+runner_chuva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-4791026867585634776</id><published>2007-12-24T14:42:00.000-02:00</published><updated>2008-01-03T11:01:17.814-02:00</updated><title type='text'>OLHAR CUBISTA</title><content type='html'>&lt;em&gt;" Como quereis que os outros vos façam, fazei também a eles" (Lc, 6, 31)&lt;/em&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R2_h9mLYUWI/AAAAAAAAADQ/aIkO6sllKIQ/s1600-h/guernica.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5147581347444314466" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R2_h9mLYUWI/AAAAAAAAADQ/aIkO6sllKIQ/s320/guernica.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foi com um olhar cubista de um Picasso triste que o morador de rua olhou para os seus agressores.&lt;br /&gt;O horror escorria-lhe pelas frestas dos dentes da boca de desespero. Enquanto isso, no silêncio da madrugada, despejavam socos e pontapés.&lt;br /&gt;O abstrato o agredia, sorvia-lhe o sono a violência sem significação. E numa cadência de chutes e socos o mundo perdia seu sentido.&lt;br /&gt;O andarilho pedia que parassem, mas a violência era tanta que foi preciso acreditar que um carma era purgado. Nas silhuetas do que lhe sobrava da vida, o espectro do absurdo deixou grafado, como tatuagem, sua marca incurável: cicatrizes de violência, negativas de amor.&lt;br /&gt;Restaram na noite um grito de tristeza, um choro desassossegado daquele que é órfão da vida. Restaram na noite olhos marejados de lágrimas sufocadas, evidências de uma Guernica pessoal.&lt;br /&gt;Sobravam dele apenas retratos de uma poesia triste, onde se cogita não haver vida nem sentido nos dias que passamos. Sobravam dele apenas inspiração para orações dos fiéis e presságios de dias estranhos para os mais velhos. Arrematava consigo todos os olhares do povo, todo o marasmo de mais um dia era quebrado pela imagem de sua face ensangüentada.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E por um instante apenas se sentiu gente, mesmo que para tanto tivesse que sentir dor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;*Imagem: Guernica, Pablo Picasso, 1937&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-4791026867585634776?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/4791026867585634776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=4791026867585634776' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/4791026867585634776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/4791026867585634776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/12/olhar-cubista.html' title='OLHAR CUBISTA'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R2_h9mLYUWI/AAAAAAAAADQ/aIkO6sllKIQ/s72-c/guernica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-6034147076533348471</id><published>2007-12-17T21:25:00.000-02:00</published><updated>2007-12-17T21:34:55.446-02:00</updated><title type='text'>FRANCA DOS NATAIS BRILHANTES</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R2cHbmLYUTI/AAAAAAAAAC4/kC1MSuPT-6I/s1600-h/Natal.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145089269980221746" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R2cHbmLYUTI/AAAAAAAAAC4/kC1MSuPT-6I/s320/Natal.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Tudo iluminado, lojas abertas e cheias. O período do Natal é realmente um momento para reflexões, onde a sensibilidade fica mais a mostra.&lt;br /&gt;Neste tempo, ouve-se falar de muitas alegrias e confraternizações. Há até quem fique mais generoso. Neste tempo não há espaço para crises, quiçá brigas e desentendimentos. O espectro natalino realmente meche com a alma do povo não só aqui em Franca, mas em qualquer lugar do mundo cristão.&lt;br /&gt;As ruas são então decoradas com lindas luzes e ornamentos natalinos. A cidade precisa estar linda para receber o Menino Jesus que está prestes a nascer. E o povo adora, todos passeiam pelas ruas gastando seus décimos terceiros salários. Curioso como o encantamento e a sedução pelas compras transfigura o espírito. Talvez seja a alegria do consumo, talvez apenas a necessidade social de se ver incluído na moda vigente.&lt;br /&gt;Mas, curiosamente, quando o dia vinte e cinco passar e com ele ceder o frisson das compras, ninguém restará que tenha se lembrado do Menino Jesus que, em um dia apenas, já terá crescido e perderá a graça dos bebês, deixará a manjedoura e partirá para o calvário num caminho que ninguém gostaria de acompanhá-lo.&lt;br /&gt;Em um dia apenas os brinquedos e eletrodomésticos com os quais sonhamos o ano inteiro restarão já velhos e novos sonhos de consumo se avizinham. Enquanto isso, pelo caminho do calvário, Jesus, agora homem, ergue solitário sua cruz. Enquanto durar o caminho, desmancharemos os enfeites e apagaremos as luzes que enfeitaram nosso mundo imaginário, onde não há espaço para os horrores com os quais lidamos e de que tanto fugimos.&lt;br /&gt;Olhem todos porque já no dia vinte e seis Jesus parte para o calvário. Curioso como até mesmo Ele deve se apressar, porque logo chega a Páscoa, linda e adocicada com seus chocolates e coelhinhos imaginários, que tanto servem para fazer-nos esquecer o sangue alheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-6034147076533348471?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/6034147076533348471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=6034147076533348471' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/6034147076533348471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/6034147076533348471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/12/franca-dos-natais-brilhantes.html' title='FRANCA DOS NATAIS BRILHANTES'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R2cHbmLYUTI/AAAAAAAAAC4/kC1MSuPT-6I/s72-c/Natal.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-1267254241214768422</id><published>2007-12-14T13:14:00.001-02:00</published><updated>2007-12-16T22:48:17.427-02:00</updated><title type='text'>AS TORRES DA CAPELA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R2KeM2LYURI/AAAAAAAAACo/_GCh8qC3ytg/s1600-h/008.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5143847667949392146" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R2KeM2LYURI/AAAAAAAAACo/_GCh8qC3ytg/s320/008.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Eis que naquela noite o vento soprou forte. O movimento do vento refletia a ansiedade do primeiro beijo. Do lado de dentro, mãos entrelaçadas e abraços carinhosos. Beijos púrpuros de plenitude. Espíritos embalados pela dança do incenso. Toques sutis de aconchego e paz.&lt;br /&gt;De longe, era possível ver as torres da capela. Traziam consigo uma igualdade ímpar. Eram duas, mas tinham um só ponto em comum, um único céu. Por dentro, duas torres, mas um só encontro.&lt;br /&gt;Incenso, desfecho, destinos...O invisível dançava aos olhos delas como que profetizando suas vidas.&lt;br /&gt;O incenso ardia na noite, propagava odores de alfazema e alecrim. Deixava virgem um rastro de amor.&lt;br /&gt;Eros ou Lilith?&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-1267254241214768422?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/1267254241214768422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=1267254241214768422' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/1267254241214768422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/1267254241214768422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/12/as-torres-da-capela.html' title='AS TORRES DA CAPELA'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R2KeM2LYURI/AAAAAAAAACo/_GCh8qC3ytg/s72-c/008.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-2921866554663148591</id><published>2007-12-12T16:02:00.000-02:00</published><updated>2007-12-12T20:07:04.689-02:00</updated><title type='text'>CINZAS DO COTIDIANO</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R2AjwS0XPVI/AAAAAAAAACg/Iiy-y-DJyhs/s1600-h/134.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5143150087049264466" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R2AjwS0XPVI/AAAAAAAAACg/Iiy-y-DJyhs/s320/134.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ao meu lado, apenas o que sobrou do copo de café já frio. Mas por aquelas árvores, por aqueles bancos perscruto sons do passado e, como quem renasce, passo a escutar ruídos antigos, frases e luzes carregadas de história. Aos poucos, ao meu lado surgem protagonistas do mundo de lá, onde o vento é livre e sensível. Rodeiam-me amigos do passado, das alegrias e dos diálogos. Rodeiam-me amores de um beijo apenas. Ao meu lado, histórias fazem adjetivar o dia.&lt;br /&gt;O vento trouxe consigo os ciganos de minha memória. Trouxeram presentes, juntaram-se a mim e ceiamos juntos. Por alguns momentos, deixei de lado o cotidiano para adentrar ao mundo colorido de lá, das cores e dos sons das histórias. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se busco este mundo é porque pessoas já foram e levaram consigo parte de mim em histórias inacabadas. Momentos incompletos me escaparam das mãos e voaram para longe, deixaram marcas tão lindas quanto uma revolução sem sangue. Deixaram porvir o sabor da descoberta e, para se comunicarem comigo, elegeram a poesia. São momentos únicos, leves como água, claros, límpidos e rápidos, mas deixaram marcas profundas, capazes de tombar o dia e reduzi-lo a cinzas levadas pelo vento. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por estes momentos, carrego lembranças raras, bem guardadas. Por estes momentos, recrio o mundo em infinitas variações de cores e deixo que meus sentimentos ao vento lancem as cinzas do cotidiano.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-2921866554663148591?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/2921866554663148591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=2921866554663148591' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/2921866554663148591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/2921866554663148591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/12/cinzas-do-cotidiano.html' title='CINZAS DO COTIDIANO'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R2AjwS0XPVI/AAAAAAAAACg/Iiy-y-DJyhs/s72-c/134.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-2369607423560093459</id><published>2007-11-26T18:47:00.000-02:00</published><updated>2007-11-27T11:39:19.274-02:00</updated><title type='text'>AGONIAS DO PARTO</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R0s08tXTRQI/AAAAAAAAACY/sXCtuFA5OR8/s1600-h/bwv01.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5137258017520305410" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="214" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R0s08tXTRQI/AAAAAAAAACY/sXCtuFA5OR8/s320/bwv01.jpg" width="253" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Amigos, hoje tentei escrever, mas as palavras fugiam, as idéias esvaíam-se em lapsos cerebrais de sinapses mal-feitas. Tudo não passava de clichês eventuais, delírios passageiros que não traduziam mais que um simples &lt;em&gt;déjá vu&lt;/em&gt;. E do &lt;em&gt;insight&lt;/em&gt;, eu não conhecia mais que o nome.&lt;br /&gt;Então resolvi escrever sobre o meu fracasso em tentar escrever algo. De alguma forma precisava compartilhar minhas limitações com os meus poucos leitores.&lt;br /&gt;Gosto de escrever, mas as vezes é difícil. Não é falta de material, o cotidiano me fascina. Muitos de meus contos e crônicas saíram de pequenas notícias que li, ou de qualquer coisa muito insignificante que passava pelo dia. Um pássaro, um feriado, notícias no jornal, um homem que passeava de bicicleta fazendo vozes estranhas, como de menina, sei lá, tudo parece uma sopa rica de idéias. Mas às vezes, para meu desespero, de repente tudo se mostra pobre, estéril.&lt;br /&gt;Crises de um espírito tão meu, tão único. E hoje eu o enganei.&lt;br /&gt;Só consigo escrever quando estou feliz ou triste, mas nunca quando o desânimo se abate sobre mim. Mas hoje, pude perceber seu mecanismo e escrevo agora drogado pelo desânimo. É uma forma de negá-lo, de construir frases como quem constrói uma muralha de proteção, uma casamata. E a característica essencial que faz de uma casamata o que ela é, é justamente permitir o revide, o contra-ataque. E é isso que faço hoje, contra-ataco meu espírito, ou o desânimo que teima em se abater sobre ele.&lt;br /&gt;Resisto e minhas idéias dão à luz. Por hoje não me calarei, mas antes trarei ao público expressões que talvez nunca tivessem nascido se o parto fosse interrompido.&lt;br /&gt;Nunca o “backspace” trabalhou tanto! Parece irônico, mas prossigo.&lt;br /&gt;(Pausa, preciso pensar!)&lt;br /&gt;Estou de volta e retomo meu assunto. Construí uma casamata. E anuncio ao mundo um pequeno parto, feio e brilhante. O que veio dali está banhado em sangue, mas é gente. Mal andou e já começou a apanhar, mas é forte, agüenta.&lt;br /&gt;Mesmo que não sejam palavras de um Hemingway, ou Dostoiévsky, Drummond ou Vinícius, ainda são as minhas, idiossincrasia plena de um pobre único.&lt;br /&gt;Então era verdade! Sabia que não seria em vão escrever. Lembrei-me de uma nobre lição que em muito se aplica ao dia de hoje. Certa vez Vinícius me intimou, assim como fez com tantos. Disse: &lt;em&gt;“Vamos, escreve, ó mascarado! Escreve uma crônica sobre esta cadeira que está aí em tua frente! E que ela seja bem-feita e divirta os leitores.”&lt;/em&gt; Pois bem, hoje escrevo sobre minha casamata, e que minhas palavras sejam vivas e não soçobrem antes do parto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-2369607423560093459?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/2369607423560093459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=2369607423560093459' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/2369607423560093459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/2369607423560093459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/11/agonias-do-parto.html' title='AGONIAS DO PARTO'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R0s08tXTRQI/AAAAAAAAACY/sXCtuFA5OR8/s72-c/bwv01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-8965895355178357785</id><published>2007-11-22T11:45:00.001-02:00</published><updated>2008-04-09T21:43:20.684-03:00</updated><title type='text'>ENQUANTO UM CHORAR...</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R0WKEtXTROI/AAAAAAAAACI/vFaXHEEcoGw/s1600-h/enterro5tm.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135662763587355874" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="192" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R0WKEtXTROI/AAAAAAAAACI/vFaXHEEcoGw/s320/enterro5tm.jpg" width="300" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;"...a morte de qualquer homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido..."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;in Meditação 17, John Donne&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto um chorar, toda consciência é pesada, todo mar é agitado e não há abrigo nos corações. Enquanto um chorar, meus sonhos não passam de silhuetas de um paradoxo e meus sentimentos se transfiguram em simulacros de idéias vazias.&lt;br /&gt;Não há meios de banir a tristeza, não há formas de evitar o derradeiro encontro consigo mesmo, onde no íntimo imago a imagem do irmão brota triste. Somos irmãos e, enquanto um chorar, não desejo o calor dos sorrisos. Somos irmãos e cada pessoa é parte de mim. Cada universo, cada consciência discreta, frágil, deseja a felicidade dos sorrisos simples e dos apertos de mão. Enquanto um chorar, um vento fúnebre deixa um ranço de morte.&lt;br /&gt;Dobram-se os sinos, afirmou John Donne. E é por nós que eles dobram, por cada perda, por cada instante em que nos diminuímos.&lt;br /&gt;Em cada sofrimento que desprezamos, em cada irmão que ignoramos, entre os sinos dobrados, um réquiem é composto.&lt;br /&gt;Ouve-se o réquiem a cada instante, composto de notas amargas de orgulho e soberba. Na imagem do mendigo ele é encontrado. Pelos hospitais e seus doentes terminais pode-se ouvi-lo. No centro e na periferia já o deram como certo. Nas igrejas também o perscrutam, entre um e outro cântico de louvor.&lt;br /&gt;Dia a dia ele nos acompanha, sempre que negamos uns aos outros. Caminha conosco desde os tempos imemoriais, em cada guerra, em cada morte. Não o rejeitamos, somos seus filhos adotivos, do réquiem e dos sinos, pois &lt;em&gt;não há paz, quebram até as flores*.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Filha de Henrique Dussel, com 7 anos de idade.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-8965895355178357785?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/8965895355178357785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=8965895355178357785' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/8965895355178357785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/8965895355178357785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/11/enquanto-um-chorar.html' title='ENQUANTO UM CHORAR...'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_Z3symGHC-5c/R0WKEtXTROI/AAAAAAAAACI/vFaXHEEcoGw/s72-c/enterro5tm.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-772212188228016240</id><published>2007-11-04T11:18:00.000-02:00</published><updated>2007-11-04T21:05:42.852-02:00</updated><title type='text'>DIATRIBE</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_Z3symGHC-5c/Ry3ZHtYX9HI/AAAAAAAAACA/TcO3TWn3nGI/s1600-h/diatribe.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5128994277109003378" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_Z3symGHC-5c/Ry3ZHtYX9HI/AAAAAAAAACA/TcO3TWn3nGI/s320/diatribe.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era Finados e o cemitério estava concorrido. É tradição em minha família que visitemos os nossos mortos nesta época do ano. Neste feriado decidi que iria sozinho.&lt;br /&gt;Comprei um vasinho de flores e fui ter com os mortos. Pelo caminho pude perceber as pessoas rezando em frente aos túmulos dos extintos parentes seus. Uns rezavam, outro se ocupavam de limpar os túmulos, outros ainda apenas choravam transbordando uma tristezinha antiga, daquelas que nunca se extinguirão.&lt;br /&gt;Quando cheguei ao túmulo dos meus avós, ali rezei. Depositei o vasinho de flores que comprei para eles e rezei com a cabeça baixa. Uma tristezinha daquelas se abateu sobre mim e de súbito chorei. É uma sensação hipnótica, por onde o presente se desfaz em pétalas de solidão e resignação. As lembranças de todos voltam a me visitar e o presente parece ceder espaço ao passado já consumado. Lembro-me agora das festas, das histórias contadas em tons fantásticos, da sensação de acolhimento, mas também das brigas e das palavras ásperas. São fatos que jamais voltarão, exceto pelas lembranças que morrerão comigo.&lt;br /&gt;Curiosamente, a saudade que carrego por todos os que já partiram suscitou em mim a vontade de querer resolver todas as diferenças que possuo com os meus próximos. Em mim se criou um anseio de resolver as questões pendentes, de pedir perdão pelos erros passados, de poder amar e guardar sempre mais e mais das boas memórias.&lt;br /&gt;Era uma sensação que me preencheu por alguns instantes, até que um singelo bem-te-vi pousou sobre a cruz do túmulo. Era um bem-te-vi já velho, trazia consigo um ranço de morte, possuía a penugem esfacelada e trazia em uma das patinhas uma ferida que o impedia de firmar as duas no chão.&lt;br /&gt;O bem-te-vi pousou em cima da cruz e ficou diante de mim. Enquanto descansava, suspendia a pata machucada, mas não alçava vôo, ficou parado diante de mim. Enxuguei minhas parcas lágrimas e comecei a observá-lo. De súbito, uma angústia se abateu sobre mim. Era vontade de ajudar aquele passarinho, de lhe curar a patinha. Mas eu sabia que se me movesse ele se espantaria e voaria para longe, e a sensação de impotência me fez mais triste.&lt;br /&gt;Foi quando o velho passarinho profetizou a meu respeito:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Minha pata dói, mas não te conheço. Prefiro a amargura da dor e da falta de liberdade que a ajuda proveniente de estranhos capazes de me matar.&lt;br /&gt;Entre nós há um abismo insuperável, por onde a comunicação não se dá. Sei que sofro e que preciso de ajuda, mas é inútil qualquer tentativa de aproximação. Nossas espécies são diferentes, somos seres diferentes e jamais nos entenderemos.&lt;br /&gt;Estava escrito que entre nós seria assim, portanto, não se aflija comigo. Eu morrerei seguindo meu curso natural.&lt;br /&gt;Mas assim não deveria ser entre vocês, humanos, irmãos de mesma língua e afeto. Entre vocês a comunicação também é difícil, e alguns se dão ao luxo de morrer sem amar e se deixar amar. Entre você e eu há um abismo, mas entre você e seu próximo deveria haver uma ponte mágica, não a destrua. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Às vezes se tenta, mas não se encontra formas de romper a barreira com o próximo, ele está fechado e não ouvirá. Então não há diálogo e tudo se rompe em profundas amarguras. Mas saiba que os outros também tentarão e você também frustrará tentativas de amor.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E o velho passarinho voou. Quando voltei a mim, senti que era hora de ir embora. O tempo urge e há muito que ser feito antes do final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-772212188228016240?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/772212188228016240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=772212188228016240' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/772212188228016240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/772212188228016240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/11/diatribe.html' title='DIATRIBE'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_Z3symGHC-5c/Ry3ZHtYX9HI/AAAAAAAAACA/TcO3TWn3nGI/s72-c/diatribe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-1312598541689277095</id><published>2007-10-24T18:35:00.000-02:00</published><updated>2007-11-24T16:21:52.692-02:00</updated><title type='text'>DO VELHO OURIVES ou (RECORDAÇÕES DO INFINITO)</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/RyHmVNYX9GI/AAAAAAAAAB4/OoTo856aM8g/s1600-h/SEloy1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125631102967870562" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/RyHmVNYX9GI/AAAAAAAAAB4/OoTo856aM8g/s320/SEloy1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eis que mãos habilidosas trabalham. Não perturbem a &lt;em&gt;poíesis&lt;/em&gt; em processo.&lt;br /&gt;Em seu estúdio, o ourives trata o metal bruto e o transforma. O jovem casal segue ansioso do lado de fora. Enquanto isso, a fina ferramenta do artesão vai grafando no metal da aliança os anseios mais desprendidos.&lt;br /&gt;Nos sulcos feitos no metal ficam letras, nomes e datas. Mais que isso, como tatuagem na pele, o metal se torna único porque sonhos singelos assim o querem ver. E o velho ourives trabalha.&lt;br /&gt;Com cuidado o nome dele é feito no metal dela e o nome dela é feito no metal dele. A data importante do início de tudo é posta cuidadosamente após o nome. Tudo foi consumado e a aliança se impregnou de história.&lt;br /&gt;O experiente ourives termina cuidadosamente o polimento e o trabalho chega ao fim. Então, chama seu ajudante e diz:&lt;br /&gt;- Está feito. Onde está o casal?&lt;br /&gt;- Não há nenhum casal aqui, é muito cedo, ainda estou varrendo a joalheria e abrirei as portas em dez minutos.&lt;br /&gt;- Então ninguém me aguarda?&lt;br /&gt;- Não creio.&lt;br /&gt;E o velho ourives logo entendeu. Pegou as alianças, trancou seu estúdio, despediu-se e voltou para casa.&lt;br /&gt;Quando o avistou, sua mulher logo estranhou.&lt;br /&gt;- Não deverias trabalhar hoje?&lt;br /&gt;- Não. O que devo é entregar-te este presente.&lt;br /&gt;- Novas? Ficaram lindas. E como brilham!&lt;br /&gt;- Têm o mesmo brilho de cinco décadas atrás. Vês a data?&lt;br /&gt;- Sim, é verdade. Nada mudou. Continuas o mesmo broto de antes.&lt;br /&gt;- Ah! Obrigado! Mas sei que já não dou mais pra isso.&lt;br /&gt;- Estás errado, pois conquistaste a mim a cada dia, como um eterno namorado.&lt;br /&gt;- Então, és feliz?&lt;br /&gt;- Sim, muito! Sabes disso.&lt;br /&gt;-Pois fizeste feliz também a mim. É como se o tempo não tivesse passado. Lembras de quando...&lt;br /&gt;- Sim, é hoje...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-1312598541689277095?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/1312598541689277095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=1312598541689277095' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/1312598541689277095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/1312598541689277095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/10/dou-ourives-ou-recordaes-do-infinito.html' title='DO VELHO OURIVES ou (RECORDAÇÕES DO INFINITO)'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/RyHmVNYX9GI/AAAAAAAAAB4/OoTo856aM8g/s72-c/SEloy1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-768825078473671256</id><published>2007-10-04T12:53:00.001-03:00</published><updated>2009-09-07T13:27:36.751-03:00</updated><title type='text'>COROLÁRIOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_Z3symGHC-5c/RwUU4Icu67I/AAAAAAAAABw/r8Q6c05puAU/s1600-h/Momento2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5117519506149665714" border="0" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_Z3symGHC-5c/RwUU4Icu67I/AAAAAAAAABw/r8Q6c05puAU/s320/Momento2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De tudo, o que permanece é o amor. Não há meios de que outras coisas ocupem o lugar deste sentimento. As memórias são cada vez mais ampliadas, enriquecidas pelas experiências de carinho e entrega. Nas minhas memórias, o vento teima em soprar forte dando movimento e energia ao meu presente. E digo que sou rico, na verdade muito rico, pois me sustento em ombros de gigantes, experiências gigantescas que moldam minha vida a cada instante.&lt;br /&gt;E do presente que há pouco dei ao meu amor, extraio sorrisos que só fazem fortalecer os meus gigantes. Sou feliz!&lt;br /&gt;Meus momentos alegres ao lado do meu amor são grafados em sulcos vivos e profundos, como tatuagem em minha pele. E não se apagarão nunca, mas antes tranformam-se numa tenaz impossível de se desfazer. Cada instante, cada segundo composto de olhares brilhantes e pensamentos profundos causam em mim a delicada sensação de negar todas as teorias, todos os conhecimentos provenientes das letras, pois agora só me resta a vontade de amar e mudar tudo ao meu redor.&lt;br /&gt;Dou-te um beijo e sinto seus lábios quentes, concretos, e me perco no calor doce do encontro das salivas. Não quero outra coisa, não desejo o frissom das teorias nem dos argumentos complexos. Insisto nos momentos simples e no aconchego trazido por esta escassa sensação de completude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-768825078473671256?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/768825078473671256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=768825078473671256' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/768825078473671256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/768825078473671256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/10/ato-2-corolrios.html' title='COROLÁRIOS'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_Z3symGHC-5c/RwUU4Icu67I/AAAAAAAAABw/r8Q6c05puAU/s72-c/Momento2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-5003074062208515994</id><published>2007-09-21T13:53:00.000-03:00</published><updated>2007-10-07T23:21:36.173-03:00</updated><title type='text'>INTERLÚDIO</title><content type='html'>Resolvi fumar encostado no muro. Eu fumava introspectivo, pensativo. Não havia ninguém por perto, exceto os carros. De repente, um homem descia a rua em sua bicicleta. Não me viu. Quando pude ouvi-lo percebi que ele imitava uma garotinha. Não entendi por que falava sozinho. Falava com voz fina, chata e enjoativa. Parecia que o homem brigava com a garotinha, porque ele fazia duas vozes estridentes, de certo uma para ele e outra para ela, ou as duas para elas, quem sabe? E, perdido em seus devaneios, passou rápido por um buraco na rua, quase caiu da bicicleta e soltou um grito duvidoso. Impossível não ter sido engraçado! Ri da cena...ri muito mesmo, sem entender!&lt;br /&gt;O homem passou, foi embora discutindo com sua imaginação.&lt;br /&gt;Parecia que discutiam em tons acalorados, e ele se defendia ironizando o que a garotinha falava.&lt;br /&gt;De tudo, o mais engraçado foi ouvir ele dizer, com uma convicção enfurecida: &lt;em&gt;"M-E-N-T-I-R-O-S-A!!!"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-5003074062208515994?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/5003074062208515994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=5003074062208515994' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/5003074062208515994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/5003074062208515994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/09/interldio.html' title='INTERLÚDIO'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-676433508415877528</id><published>2007-09-18T10:41:00.000-03:00</published><updated>2007-09-24T12:58:55.671-03:00</updated><title type='text'>ASPECTOS DO DIZÍVEL</title><content type='html'>Todos se ajuntam para formar a eclésia. Os cânticos transmitem paz, ressoam pelos ouvidos em auspiciosos tons metafísicos, parecem unir os desejos numa expressão do mundo de lá. Todos juntos, o ambiente é então flamado em suaves odores perfumados de incenso queimado aos poucos, em pequenas e delicadas brasas.&lt;br /&gt;O silêncio reflete a comunhão com o mundo de lá. Uníssonos, os fiéis entram em suas mais íntimas reflexões. A fumaça branca, perfumada e leve sobe aos céus e se dissipa, leva consigo as preces e os sofrimentos de todos, embalados em serenos passos de dança. O incenso sobe, mas antes dança numa sintonia doce e enigmática.&lt;br /&gt;Expressões, visões, revelações, sofrimentos do povo simples, alegrias sinceras de corações humildes, olhos atentos e corações batendo por sentimentos nobres, tudo se comunica e se eleva aos céus pelos trilhos do místico incenso branco e perfumado.&lt;br /&gt;O mundo de lá parece nos chamar, quer dizer algo. Parece que alguém vela por todos. Parece, por sensações de fé e paz, que tudo se encerra no amor e na crença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-676433508415877528?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/676433508415877528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=676433508415877528' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/676433508415877528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/676433508415877528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/09/aspectos-do-dizvel.html' title='ASPECTOS DO DIZÍVEL'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-3985232447284273298</id><published>2007-09-17T18:33:00.000-03:00</published><updated>2007-09-17T18:34:45.277-03:00</updated><title type='text'>ASPECTOS DO INDIZÍVEL</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_Z3symGHC-5c/Ru7y7QQ4V8I/AAAAAAAAAAk/9dqsa7RtO34/s1600-h/incenso3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5111289726904063938" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_Z3symGHC-5c/Ru7y7QQ4V8I/AAAAAAAAAAk/9dqsa7RtO34/s320/incenso3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-3985232447284273298?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/3985232447284273298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=3985232447284273298' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/3985232447284273298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/3985232447284273298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/09/aspectos-do-indizvel.html' title='ASPECTOS DO INDIZÍVEL'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_Z3symGHC-5c/Ru7y7QQ4V8I/AAAAAAAAAAk/9dqsa7RtO34/s72-c/incenso3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-8512027376155259487</id><published>2007-09-14T18:15:00.000-03:00</published><updated>2007-10-26T11:21:16.759-02:00</updated><title type='text'>OS NÔMADES DE MINHA CASA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_Z3symGHC-5c/RvBIhgQ4WCI/AAAAAAAAABU/QWw4qNq-C9c/s1600-h/vento.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5111665317499131938" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_Z3symGHC-5c/RvBIhgQ4WCI/AAAAAAAAABU/QWw4qNq-C9c/s320/vento.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Por estes dias o vento está forte. Parece que algo está agitado, quem sabe seja o espírito, quem sabe o corpo. Não há meios de se saber isso, apenas sei que minha memória também se agita. Trago à tona lembranças muito especiais, que necessitam serem vasculhadas. Quanto mais se aprofunda, minha memória se agita em infinitos turbilhões de sensações e sentimentos escondidos.&lt;br /&gt;Pela janela do quarto observo as árvores e por elas enxergo o movimento do vento. Venta forte, parece que algo quer se comunicar, ser solidário. O vento é forte e sem norte. Deixo muitas lembranças à deriva, remexidas a esmo por mim. Lembro-me, então, do primeiro encontro. Lembras também? Lembro-me das sensações e da expectativa. Lembro-me de como fora belo o primeiro beijo e os outros que até hoje vêm.&lt;br /&gt;São lembranças ciganas, trazidas de tempos em tempos pelos ventos memoriais. Às vezes param e estabelecem morada, às vezes querem trocar presentes e depois apenas seguir viagem. Não têm rumo, apenas existem e buscam um lar, umas mais próximas, outras mais distantes, mas todas aparecem de tempos em tempos.&lt;br /&gt;Venta forte em meu espírito. A sensação é de vida e movimento, mas as lembranças apresentam-se como brisas suaves da praia de Itapuã. Quando retornam de suas viagens quero conhecê-las de novo, mais aprofundadamente, por outros ângulos. Troco presentes e experiências, aprendo seu idioma estrangeiro e a cultura que trazem consigo.&lt;br /&gt;Quando do encontro delas comigo, trago sempre muitos interesses e não me abstenho de um bom café cigano. São por demais desconfiadas, se não tratá-las com o devido respeito passam despercebidas e o mundo torna-se cinza. &lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Às vezes, quando me sinto sozinho, tenho a sensação de que alguém está a espreita e que me observa com olhos de quem me conhece. São os ciganos de minha memória e querem me visitar. Quando estão por perto o vento se agita e sei que algo virá à tona. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-8512027376155259487?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/8512027376155259487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=8512027376155259487' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/8512027376155259487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/8512027376155259487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/09/os-nmades-de-minha-casa.html' title='OS NÔMADES DE MINHA CASA'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_Z3symGHC-5c/RvBIhgQ4WCI/AAAAAAAAABU/QWw4qNq-C9c/s72-c/vento.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-4210104663507851222</id><published>2007-09-12T09:04:00.000-03:00</published><updated>2007-09-17T23:58:31.752-03:00</updated><title type='text'>AQUARELA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/Ru8-0QQ4V_I/AAAAAAAAAA8/NU77LJ43HIs/s1600-h/aquarela2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5111373169528690674" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/Ru8-0QQ4V_I/AAAAAAAAAA8/NU77LJ43HIs/s320/aquarela2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tudo que tenho são expressões do meu amor. E como tudo se transforma em entusiasmo! Sim, diante desse sentimento, segurança e complexidade regem o tom de minha idiossincrasia. Não há formas exatas, tudo é etéreo, tudo é espírito. Por de trás das aparências, incenso e metafísica. Por de trás dos corpos quentes e molhados, o movimento e a dança. Adoro acreditar que o amor é movimento, como a fumaça do incenso que brota branca, breve em brincos brilhantes e delicados. O incenso se eleva perfumado e alcança os céus. Eleva ao mais alto o desejo mais sincero. Leva consigo as aspirações mais abstratas e os sonhos mais íntimos.&lt;br /&gt;Parece que as sensações se comunicam com o mundo de lá em leves e tênues oferendas dadas pelo homem aos deuses. O amor causa coisas como essas, é tão grande que não se contém, faz com que precisemos nos comunicar, dizer para o mundo de lá que as coisas por aqui são lindas e que se movimentam.&lt;br /&gt;Então, acendo uma vela e faço a prece. O fogo fascina e o incenso eleva o fascínio, o comunica. O espírito se acalma, sente-se em harmonia. Em movimento, o amor, por de trás de todos os atos, formula toques, gestos e carícias azuis e róseas que culminam em contrações e palavras brancas, inexoravelmente puras. Cada gesto com sua cor sincera junta-se a outro e outro e mais outro formando um movimento único, branco e brilhante, apenas visível no encontro mágico dos corpos feitos um para o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-4210104663507851222?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/4210104663507851222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=4210104663507851222' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/4210104663507851222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/4210104663507851222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/09/aquarela.html' title='AQUARELA'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_Z3symGHC-5c/Ru8-0QQ4V_I/AAAAAAAAAA8/NU77LJ43HIs/s72-c/aquarela2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-7527622473349205239</id><published>2007-08-25T15:51:00.001-03:00</published><updated>2007-09-18T00:04:02.770-03:00</updated><title type='text'>PAIXÃO, FUMAÇA E PERPLEXIDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_Z3symGHC-5c/Ru9AGwQ4WBI/AAAAAAAAABM/zsGwpII8JnM/s1600-h/cjLilith.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5111374586867898386" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_Z3symGHC-5c/Ru9AGwQ4WBI/AAAAAAAAABM/zsGwpII8JnM/s320/cjLilith.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ventos avermelhados tomaram meu corpo. Arrastaram-me pelos caminhos da noite. Conduziram-me por trópicos e hemisférios psíquicos nunca antes desbravados. O sol havia se apagado e a lua negra tornava os ares espessos.&lt;br /&gt;Um espectro noturno caminhava junto de mim, possuía a forma de uma coruja e soprava um sopro quente e sensual. Dúvidas brotavam-me múltiplas como um leque e transmutavam-se num verdadeiro caleidoscópio de desejos e sensualidade.&lt;br /&gt;A paixão e o desejo torturavam-me e as idéias, jaziam todas perplexas. Estranhamento, dor e sedução: maldita combinação estridente.&lt;br /&gt;Então, vindo pela esquerda, o espectro transmutou-se em linda forma feminina. Uma sádica serpente de olhos inertes, seguros de si, cobria suas intimidades. Falou-me com voz doce:&lt;br /&gt;- Sou aquilo que você sente. Sou a paixão e o mistério, sou o desejo e o tormento. (espectro)&lt;br /&gt;_Qual seu nome? (eu)&lt;br /&gt;- Sou Lilith, e carrego em mim a lua oculta em todos os mortais (Lilith).&lt;br /&gt;- Este desejo me tortura e a paixão, cega-me os olhos. Você é falsa e perigosa. (eu)&lt;br /&gt;- Mas nem por isso deixo de ser real. (Lilith)&lt;br /&gt;- Não quero esta paixão, estou sufocado. Resta-me algo?(eu)&lt;br /&gt;_Não sei. Tem um cigarro? (Lilith)&lt;br /&gt;- Sim, tenho. (eu)&lt;br /&gt;- Pois acenda-o e fume. Fume como nunca antes fumou. E quando liberar seus tragos de vã prazer, lembre-se de admirar a fumaça. Veja como ela sobe e desaparece dançando bem diante dos seus olhos. Não te resta nada mais que isso. (Lilith)&lt;br /&gt;(baforadas de fumaça...)&lt;br /&gt;- Não é possível, então, que minha paixão encontre seu lar? (eu)&lt;br /&gt;- Não. Mas, se conseguir, pode tentar deixá-la escapar, como deixou escapar a fumaça de seus pulmões. Se tentasse prendê-la ficaria asfixiado. Ela não te pertence, é efêmera e necessita de liberdade. Assim são os amores não correspondidos, não pertencem aos que os amam e se vão dançando, para desespero dos apaixonados. Enquanto isso, divirto-me em meio a humanidade, pregando minhas peças irônicas... (Lilith)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-7527622473349205239?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/7527622473349205239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=7527622473349205239' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/7527622473349205239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/7527622473349205239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/08/paixo-fumaa-e-perplexidade.html' title='PAIXÃO, FUMAÇA E PERPLEXIDADE'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_Z3symGHC-5c/Ru9AGwQ4WBI/AAAAAAAAABM/zsGwpII8JnM/s72-c/cjLilith.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-3843610347348143543</id><published>2007-08-18T13:38:00.000-03:00</published><updated>2007-08-26T15:27:03.341-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Silêncio'/><title type='text'>ANTOLOGIA DO SILÊNCIO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ele parecia sempre sério. Rosto sisudo, poucas eram as oportunidades realmente sinceras para dar um sorriso autêntico. Não se tratava de uma incompreensão do mundo, não era alhures rebeldia, era apenas perplexidade. A realidade para ele firmava-se em pilares paradoxais. Ora a religião fazia sentido, ora o nihilismo antiteísta projetava-se como a mais sincera demonstração de um sentimento pessoal e genuíno.&lt;br /&gt;Ele pensava na crise dos seus paradigmas, na crise dos padrões que o levavam à sua identidade e percebia que o problema não era esse. A grande esfínge devoradora de sua vida estava na busca pelo seu próprio espaço. Já havia a muito cansado da convivência com os pais. Ele os amava mais que a qualquer outra coisa na vida. Era compreensivo nesse ponto, sabia que eles consistiam-se na sua maior herança.&lt;br /&gt;Não era rebeldia, era apenas o sentimento de perceber-se incapaz de promover a completude de sua vida nas condições em que estava submetido na casa de seus pais.&lt;br /&gt;O velho tinha suas neuroses, sua mãe os seus medos. Tudo era compreensível, mas há tempos havia a necessidade de que tudo aquilo se transformasse.&lt;br /&gt;Essa consciência dificultava as coisas, tornava tudo mais profundo. Ele era filho único, suas responsabilidades firmavam-se sempre com maior veemência, e ele sabia disso e se entristecia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;*** &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na universidade, seus estudos lhe tomavam um tempo considerável. Por lá tinha alguns amigos, algumas garotas também passaram, mas só passaram. O seu coração não encontrava morada certa, não havia ainda experimentado a sensação de um grande amor.Às vezes, o que lhe sobrevinha era a dúvida de se estar penetrando deveras num mundo muito pessoal, inalcançável para os demais. Tinha medo dessa perspectiva. Ele queria ser artista, ele era um artista. Ele escrevia.&lt;br /&gt;Suas poesias e seus contos eram seus filhos adotivos, os amava muito. Mas a sensação de vazio o perseguia como sua sombra, sempre lhe faltava algo e isso o cansava.&lt;br /&gt;Na religião, esse cansaço tendia a converte-se em entusiasmo. Não havia nele vocação para a descrença, mas nem sempre sabia em que acreditar. O mundo psíquico mesclava-se com o mundo do espírito. Ele via na fumaça e sua dança o símbolo capaz de unir o visível e o invisível, por isso se encantava com o incenso e o seu movimento. A fumaça dançava para ele com passos delicados, sutis até que sumia, transmutava-se em eterna expressão metafísica. Ali, no seu mais íntimo sentimento tudo se renovava, mas a profundidade tornava opaca a sensação de paz e a razão, sempre hodierna, voltava a tona e preenchia seu mundo com uma estranha premonição de que tudo permanecera inexoravelmente estático. Quaisquer discussões teológicas eram agora nada saudáveis.&lt;br /&gt;A fé, grande legado de seus pais, agora precisava ser lapidada, podada para que produzisse frutos. Era um jogo entre sua razão e seu legado. Nada era como antes, mas ele não saberia dizer como as coisas deveriam ser.&lt;br /&gt;Perplexidade. Sentimento de intolerância. Negação.Picos de alegria bruxuleante e tristeza miserável.&lt;br /&gt;Os símbolos, os sentidos dados ao mundo por ele precisavam ser transformados, ele buscava incessantemente essa transmutação. Enquanto isso o mundo caminhava, o tempo, inexorável companheiro, apressava-o e o comprimia, dava-lhe um medo e uma perspectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No bar à noite com os amigos sempre se alegrava e se entristecia. No bar tudo era movimento, dança. Acendeu um cigarro, olhou atentamente para a fumaça e a admirou.&lt;br /&gt;As pessoas ao seu redor pareciam intrinsecamente complexas, mas pareciam não saber disso. Todos riam, comemoravam ele não sabia o quê. Debaixo da noite as pessoas ali vivendo alguma coisa como vidas, riam alguma coisa como sorrisos, dançavam alguma coisa como música e nutriam alguma coisa como felicidade. Ele realmente não buscava a felicidade naquele lugar, apenas tentava encontrar alguma conexão entre sua vida e as demais vidas ali no seu presente. Ele olhava para o público sorrindo no bar e olhava para o dono do bar que não sorria. Ele olhava os bêbados, os fumantes e toda sorte de ébrios, todos buscavam alguma coisa como felicidade. Tudo girava em torno da felicidade, e viu-se dependente dessa perspectiva. Admirou-se e frustrou-se. O cigarro queimara-se por completo, a fumaça o abandonara novamente.&lt;br /&gt;Todos ali tinham sua própria filosofia, suas visões idiossincráticas. Em meio a elas o bar reinava, era ele o substrato, pano de fundo que gerava todos os acontecimentos e todos os enganos.&lt;br /&gt;Ele se sentava com seus amigos e bebia e fumava e escutava e falava...Era esse o movimento da alma _ mas que alma meu Deus?&lt;br /&gt;Ele talvez diria que essa alma fosse uma tentativa, pois, tinha vontade, mas a vontade não era entusiasmo.&lt;br /&gt;Ele tinha consciência de tudo e de todos e por isso não tinha nada. Tudo parecia efêmero e ao mesmo tempo essencial. Não saberia nesse momento dizer se o problema era dele ou dos outros, mas havia um problema. Tudo era real demais e tudo era nada demais!&lt;br /&gt;Ele ascendeu outro cigarro e vislumbrou a fumaça e o seu movimento.&lt;br /&gt;Olhos atentos no balanço metafísico do invisível.&lt;br /&gt;Prendia-se no mistério de suas visões.&lt;br /&gt;Nada sobrava dessa fumaça.&lt;br /&gt;Nada restava da dança.&lt;br /&gt;Desintegrava-se.&lt;br /&gt;Na música.&lt;br /&gt;No nada.&lt;br /&gt;Na vida.&lt;br /&gt;Em si.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-3843610347348143543?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/3843610347348143543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=3843610347348143543' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/3843610347348143543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/3843610347348143543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/08/um-espctro-ronda-me.html' title='ANTOLOGIA DO SILÊNCIO'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-1920212285361605025</id><published>2007-08-18T12:41:00.000-03:00</published><updated>2007-08-18T12:50:06.617-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alteridade'/><title type='text'>O DESEJO DO MENDIGO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não havia lugar para ele. Seu refúgio foi se instalar nos espaços existentes por debaixo da concha-acústica da praça do centro da cidade. Cobria com trapos o corpo cheio de sulcos e feridas e usava pedaços de papelão como cama. O frio e a rejeição seguiam-lhe. Contra o frio usava os goles de pinga ministrados homeopaticamente; contra a rejeição usava suas ânsias por dignidade.&lt;br /&gt;Neste dia comera apenas as sobras das pipocas murchas que os pipoqueiros do centro da cidade não venderam. Não tomava banho havia dias, passava frio e fome. Olhos atentos nas pessoas que passavam. O abraço do pai em seu filho, o beijo dos namorados sentados nos bancos, o sorriso da criança que corria atrás dos pombos...Ardia-lhe o desejo de amar e de ser amado, mas o chão era duro e a noite fria. No rosto sisudo as marcas do sol e de uma vida sem muitos sorrisos.&lt;br /&gt;Nada, nenhuma perspectiva de transformação sondava sua realidade. Tudo era demasiadamente caótico e a consciência de si diante desse caos trazia-lhe apenas mais sofrimento. Ele olhava ao seu redor e via vários caminhantes que como ele bebiam e sofriam. Como todos naquela situação, enrolava-se debaixo de seu cobertor e dormia na tentativa de encontrar o mais profundo esquecimento. A realidade, entretanto, acordava-o com leves toques de ironia e sarcasmo.&lt;br /&gt;Entre eles todos se olhavam sorrateiramente com olhos vacilantes. Durante o silêncio da madrugada ouviam-se alguns sussurros, tosses, gemidos de dores e delírios daqueles que dormiam pelos bancos e pelos espaços encobertos, tentando ocultar as marcas de sua humilhação.&lt;br /&gt;Acordava algumas vezes durante a madrugada, conferia suas coisas e procurava algo para comer. Quando não havia nada e a dor da solidão causava-lhe uma angústia bruta e doída, quando o frio era muito e não havia mais bebida nem esperança, seu remédio era caminhar até a imagem branca imponente do Cristo de braços abertos que fica bem diante de onde ele dormia. Gostava daquele momento. Ele não sabia rezar, não sabia como chamar a Deus, mas se sentia acolhido naquele encontro místico entre o homem e a estátua do Sagrado. Não compreendia onde poderia estar Deus, mas sentia que sua existência ganhava sentido naquele encontro transcendental. Naquela noite, em meio às luzes dos postes e ao ruído da corrente elétrica passando pelos fios de eletricidade, ele se sentou nas escadarias da Catedral, chorou e procurou respostas diante do Cristo de braços abertos. Por ele passavam angústia e medo. Sua cabeça transbordava num caleidoscópio de sentimentos e pensamentos contraditórios por onde a embriagues regia o tom da perplexidade.&lt;br /&gt;Não suportava mais a solidão e a indiferença. Ele olhava para o Cristo de braços abertos e sem motivos pediu perdão, meio que por necessidade, meio que por temor. Naquele momento sonhou como uma criança e desejou que no mundo ele tivesse um lugar. Deitou-se e com um sorriso infantil aos poucos adormeceu, embebido em sua alegria miúda. O dia chegava e ele não mais acordou. Morreu dormindo nas escadarias da Catedral. Enterraram-no sem cerimônias. Os demais apossaram-se de seus pertences e logo outro caminhante se instalou onde ele dormia. Enquanto isso, na cidade da Franca continuam os mesmos sussurros, tosses e gemidos de dores por entre as madrugadas. Na cidade da Franca o cotidiano segue seu ritmo enquanto o Cristo de braços abertos acolhe aqueles que poucos enxergam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-1920212285361605025?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/1920212285361605025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=1920212285361605025' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/1920212285361605025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/1920212285361605025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/08/o-desejo-do-mendigo.html' title='O DESEJO DO MENDIGO'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7133430464633386311.post-8669879496515764069</id><published>2007-08-12T17:05:00.000-03:00</published><updated>2007-08-18T12:54:15.756-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alquimia dos sentimentos'/><title type='text'>O TEMPO PAROU POR VOCÊ</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje, resolvi escrever para você. Não sei ao certo os meus motivos. Acho que é o tempo, que por aqui passou a não correr mais. Nas paragens de cá, onde meus sonhos trancam sentimentos em cofres de ouro, o tempo já não anda, acho que desconfio da causa. Lembro-me das antigas histórias dos já esquecidos sábios alquimistas do deserto. Eles buscavam o domínio do tempo; se para eles o tempo parasse, a imortalidade reinaria num eterno invólucro biológico incorruptível. Era o tão desejado elixir da longa vida. Trabalhavam para atingir tal façanha, mas não se saciaram com isso apenas. Sei por seguras fontes que almejavam ainda a Pedra Filosofal, capaz de transformar tudo em ouro. Mas, diante da paixão pelo elixir deixaram todos os outros projeto de lado e, dedicados, lançaram mão unicamente deste mistério.&lt;br /&gt;Ao lembrar de sua saga, eis que surge em mim uma certa pretensão alquímica de ter, quem sabe, mas não por acaso, atingido acidentalmente o tal elixir da longa vida, visto que por aqui o tempo já não anda, é estático e carrega consigo um certo ar de plenitude. Sei que para os velhos alquimistas o elixir nunca foi encontrado, tornando-se fatalmente pedra de tropeço para todos que se enveredaram pelos seus segredos. Sei ainda uma antiga história sobre tal empreendimento, acho que seria de bom grado contá-la para que não duvides de que realmente o encontrei, mas por outros métodos, menos sofisticados. Faço então o relato do fracasso alquímico.&lt;br /&gt;Eis que os antigos alquimistas trabalhavam incessantemente em busca do lendário elixir. Desenhavam em seus grossos grimórios feitos de papiro trançado, complexas fórmulas alquímicas incapazes de serem traduzidas sem profundo conhecimento. Escreviam arduamente com auxílio de suas penas sob a luz de velas de cera amarelada. Em seus laboratórios construíram grandes e complexos destiladores, por onde o suado líquido gotejava em béqueres e erlenmeyers, pipetas e tubos de ensaio. Reuniam-se em secretas vigílias que duravam dias e madrugadas a fio para reportarem seus avanços rumo ao místico elixir. Contudo, ele se ocultava, não se deixava descobrir pelos alquimistas que, entediados, deitavam tudo por terra.&lt;br /&gt;Mas não desistiam, a paixão alquímica os movia e, guiados pela magia do indecifrável, continuavam sua busca épica. Construíram então um enorme caldeirão e nele deitaram as essências de muitos dos nobres sentimentos do homem, extraídos a muito custo em seus potentes destiladores. Mas nem todos os sentimentos puderam ser extraídos com o uso da técnica e da sabedoria. Era claro que algo tornava incompleta a fórmula, mas a crença que depositavam em seu ocultismo cegou-lhes os olhos e, sem cogitar o fracasso, seguiram em sua saga . Então, combinaram tudo seguindo seus mistérios ocultistas. Analisaram constantemente a temperatura ideal e os níveis de acidez, corrigindo, quando era o caso, os excessos da fórmula. Tomaram ainda o devido cuidado de anotarem todas as etapas do caminho em seus papiros molhados com tinta fulgurante. Suas penas trabalharam arduamente na construção teórica da fórmula perfeita.&lt;br /&gt;Então, quando julgaram ter chegado no princípio ativo ideal, reuniram-se numa enorme convenção, dispostos a difundir entre a seleta plêiade de doutos alquimistas o tão idolatrado invento.&lt;br /&gt;Um deles, correndo e vibrante por tamanho entusiasmo, trouxe em um frasco ornado com safiras e esmeraldas uma rara quantidade do caro invento. Olhavam ansiosos para o frasco fechado e para a ampulheta posta ao lado. Acreditavam que quando o frasco fosse aberto, para aqueles eleitos o tempo já não continuaria, e o primeiro vislumbre da eternidade seria naquele singular ambiente demonstrado e recebido pelos ávidos cientistas.&lt;br /&gt;Ao mais velho e sábio de todos foi dada a honra de primeiro abrir o frasco e receber em si as luzes da eternidade prometida. Então, com mãos trêmulas, um sorriso indescritível e cortejado pela ilustre plêiade dos que o assistiam, foi o antigo sábio abrir o frasco. Os mais curiosos se espremeram para verem os frutos do árduo trabalho de toda sua vida.&lt;br /&gt;Mas, pobres e desolados ficaram quando depois de aberto o frasco observaram que na ampulheta a areia avermelhada ainda se movimentava.&lt;br /&gt;Depois de tal frustração, retiraram-se do &lt;em&gt;métier&lt;/em&gt; para nunca mais voltarem. Aos grimórios foi dado o fogo e os instrumentos, todos quebrados. Sei que no lugar onde funcionava seu laboratório hoje enlaçaram em pedra uma linda igrejinha. E os alquimistas, partiram para terras longínquas.&lt;br /&gt;Esta é a história do fracasso do elixir da longa vida. E diante disso, tu podes perguntar: como ousas dizer que tu encontraste aquilo que os antigos sábios jamais vislumbraram? Pois respondo tua pergunta: verdadeiramente encontrei, sem engenho e sem fórmulas, posto diante de mim no beijo doce e delicado que recebi de você. Nesse beijo, os astros do universo em rara sintonia cuidaram para que suas órbitas fossem totalmente alinhadas e a lua, que dormia grande e branca no céu, acordou e sorriu um sorriso de mãe. Foi um momento lindo, nosso beijo sincero sendo assistido pelos céus sem fim. As estrelas todas brilharam forte e o tempo, inexorável tempo que nunca pára, hoje parou e admirou o doce encontro do nosso amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Guerreiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7133430464633386311-8669879496515764069?l=ficcoesdoespirito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/feeds/8669879496515764069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7133430464633386311&amp;postID=8669879496515764069' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/8669879496515764069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7133430464633386311/posts/default/8669879496515764069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ficcoesdoespirito.blogspot.com/2007/08/o-tempo-parou-por-voc.html' title='O TEMPO PAROU POR VOCÊ'/><author><name>Rafael Guerreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14521304946440074523</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3symGHC-5c/SKj2uBLmiWI/AAAAAAAAAGQ/2FQ-fy2XNSc/S220/DSC00342.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
